Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Dor crônica em idosos: de fato, um problema de saúde pública

DOL · Dor On Line Edição 97 · Agosto 2008 ⭳ Baixar em PDF

O site pain.com apresentou uma entrevista com o Dr. Perry G. Fine, professor de anestesiologia da Universidade de Utah, nos EUA, na qual abordou vários aspectos da dor persistente ou crônica em idosos. Na entrevista, o Dr. Fine conta que os pacientes idosos parecem ser menos adequadamente tratados no aspecto da dor persistente do que os pacientes jovens. Além disso, esse fato leva à piora da qualidade de vida, que normalmente já está associada à cognição prejudicada, alterações de humor e distúrbios do sono, assim como perturbações na marcha. Essa queda na qualidade de vida pode, inclusive, levar à mortalidade prematura. Portanto, considerando a importância desse aspecto, a dor crônica deve ser entendida como um caso de saúde pública. O tipo mais comum de dor associada à debilidade nos idosos é a dor nas costas, causada por uma enorme variedade de patologias, como neuropatias, anormalidade nos discos intervertebrais, postura, etc. Outro aspecto citado pelo Dr. Fine é a menor quantidade de massa muscular apresentada pelos idosos, além de outros fatores como proteínas séricas e clearance renal diminuídos, que alteram a metabolização de fármacos. Assim, drogas do tipo opioides, que têm alta afinidade de ligação a proteínas, podem ter seu efeito aumentado devido ao fato de que maiores quantidades de droga livre podem atravessar a barreira hematoencefálica e causar efeitos indesejáveis. Drogas com metabólitos ativos (que, quando metabolizadas pelo organismo, geram produtos que ainda exercem efeito), como a morfina, por exemplo, e que dependem do clearance renal para serem eliminadas, devem ser usadas com muito mais cuidado nos idosos que apresentam alterações renais. A entrevista alerta ainda sobre o aumento do uso da metadona para tratamento da dor crônica devido à fama de ser mais eficaz quando comparada a outros analgésicos opioides, o que é incentivado pelo seu baixo custo. Entretanto, tem sido observado um aumento alarmante da morbidade e mortalidade em adultos que foram tratados de dor crônica com esse medicamento. Segundo o Dr. Fine, é necessário lembrar que a metadona possui um tempo de eliminação altamente variável, o que pode fazer com que a droga se acumule no organismo, gerando um problema potencialmente grave. Veja mais na entrevista completa.

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