
Dor física melhora a síndrome da dor complexa regional (CRPS)
Pacientes com CRPS que sentem dor durante um agressivo programa de fisioterapia muitas vezes apresentam resultados muito melhores do que uma abordagem mais cautelosa e livre de dor. Na realidade, quase metade dos que receberam o tratamento doloroso recuperaram as funções físicas normais, enquanto aqueles que evitaram fisioterapia dolorosa geralmente tinham uma maior perda de função física. A CRPS é uma doença crônica progressiva caracterizada por dor, inchaço e alterações na pele. A causa desta síndrome é desconhecida. Jan-Willem Ek, Jan C. van Gijn e colegas do Departamento de Medicina de Reabilitação no Hospital Bethesda, na Holanda, investigaram 106 pacientes que sofriam graves deficiências físicas de CRPS Tipo I, e que não envolviam lesões do nervo (ao contrário do tipo II). Eles descobriram que quase todos os pacientes melhoraram significativamente quando submetidos a um programa de reabilitação que implicasse na exposição à dor. Na verdade, mais da metade dos pacientes no estudo recuperou o movimento físico completo e nenhum dos pacientes apresentou efeitos adversos com esta abordagem mais agressiva. Embora esta abordagem não reduzisse a quantidade de dor associada com a condição, houve um aumento significativo da mobilidade, função e qualidade de vida. Os tratamentos tradicionais para essa doença crônica tipicamente tentam minimizar a dor, o que limita significativamente a fisioterapia e, geralmente, leva a uma maior deterioração do membro afetado. CPRS pode variar de rigidez articular e dor moderada nos braços ou pernas a uma paralisia e perda completa da função em casos mais extremos. As pessoas que sofrem desta condição geralmente têm um prognóstico reduzido. Isso porque a doença, muitas vezes, leva a mudanças no próprio cérebro, fazendo com que o tratamento para o membro afetado seja quase ineficaz. Portanto, é quase impossível reduzir a dor da doença simplesmente tentando tratar o membro isoladamente. O resultado é um círculo vicioso, onde a dor da condição limita a quantidade de terapia, que por sua vez provoca mais deterioração no membro e no cérebro, o que dificulta ainda mais qualquer recuperação. Referência: Ek JW, van Gijn JC, Samwel H, van Egmond J, Klomp FP, van Dongen RT. Pain exposure physical therapy may be a safe and effective treatment for longstanding complex regional pain syndrome type 1: a case series. Clin Rehabil. 2009.