
Dor lombar é indicativo de câncer?
A dor lombar aguda é uma das maiores causas que levam pacientes a procurarem centros primários de saúde. A grande maioria desse tipo de dor não possui causas conhecidas, portanto, é classificada como dor lombar não específica. A revista Arthritis and Rheumatism traz um estudo no qual foram inseridos 1172 pacientes com diagnóstico inicial de dor lombar aguda e que foram consultados consecutivamente com quiroprático, fisioterapeuta e clínico geral - devidamente treinados para uniformizar o estudo – em centros primários de saúde de Sydney (Austrália). Diversos critérios de exclusão foram adotados para que o estudo ficasse mais uniforme, tais como idade menor que 14 anos, dores presentes há mais de seis meses ou menos de 24 horas, entre outros. O monitoramento dos pacientes se estendeu por 12 meses após a consulta inicial para determinar a causa da lombalgia (infecção, fratura, artrite ou câncer). Os roteiros da pesquisa foram baseados em “sinais vermelhos” derivados de Diretrizes Práticas Clínicas, também citadas neste trabalho. Observou-se que somente 11 casos de dor lombar (0,9%) foram causados por uma doença, predominantemente fraturas vertebrais (oito casos), que não ameaçam a vida, não havendo casos de câncer nem infecção. Os pesquisadores alertam que mesmo com a baixa prevalência de patologias graves associadas à dor lombar, 80,4% dos pacientes tinham pelo menos um “sinal vermelho” (por exemplo: idade menor que 20 ou maior que 55 anos; idade acima de 70 anos; uso prolongado de corticoides; história prévia de câncer; aumento da dor com exercícios; histórico familiar de artrite ou osteoporose; infecção bacteriana recente; perda inesperada de peso, dentre outros), sugerindo que a dor pode ser devida à doença desconhecida. Um dos pesquisadores ressalta que os sinais vermelhos não podem ser considerados indicadores úteis, já que podem estar presentes em uma gama extensa de patologias, podendo acarretar um “alarme falso”. A pesquisa levou adiante os oito casos de fraturas identificadas, onde foi desenvolvido um modelo para prever possíveis fraturas vertebrais em pacientes com lombalgia aguda. Este modelo prevê a existência de quatro descritores: sexo feminino, idade maior que 70 anos, trauma significativo e uso prolongado de corticosteroides. Portanto, aconselha-se que pacientes com dor lombar aguda devem ficar atentos aos “sinais vermelhos” apenas como alerta e não como diagnóstico e, claro, consultarem o médico. Para tornar a sua consulta médica mais didática e objetiva, clique aqui e leve a tabela preenchida para mostrar ao seu médico. Referência: Henschke N, Maher CG, Refshauge KM, Herbert RD, Cumming RG, Bleasel J, York J, Das A, McAuley JH, Prevalence of and screening for serious spinal pathology in patients presenting to primary care settings with acute low back pain, Arthritis Rheum. 2009 60(10), 3072-3080. Fonte: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?LangType=1046&banner=rc_pain&menu_id=49&id=23793