Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Dor na era dos gigantes

Um estudo publicado em 2019 revelou, com base na análise de fósseis, esqueletos com lesões e pegadas, que os dinossauros apresentavam comportamentos indicativos de dor. Os pesquisadores buscaram solucionar as especulações que surgiram com a

DOL · Dor On Line Edição 276 · Julho 2023 ⭳ Baixar em PDF

Um estudo publicado em 2019 revelou, com base na análise de fósseis, esqueletos com lesões e pegadas, que os dinossauros apresentavam comportamentos indicativos de dor. Os pesquisadores buscaram solucionar as especulações que surgiram com a paleontologia sobre como, e se, estes animais sentiam dor. Para isso foi realizada uma revisão sistemática, buscando na literatura informações acerca da anatomia, comportamento, fisiologia e hábitos dos dinossauros, comparando esses padrões com os dos seus sucessores; os pássaros e crocodilianos. Embora o comportamento de fato não possa ser preservado nos registros paleontológicos, os pesquisadores se embasaram em fósseis, lesões curadas, fraturas, pegadas com dedos deformados ou ausentes, ou doenças e traços que podem ter se perpetuado. Analisando a diferença no comprimento do ritmo da marcha esquerda com relação à direita foi possível identificar, por exemplo, que dinossauros exibiam o comportamento de “mancar”, uma resposta comum dos animais à dor que visa poupar o membro afetado. Foi estimado também um aquecimento de 2,6 °C na área da lesão, revelando atitudes e respostas orgânicas indicativas de dor e tentativas de acelerar o processo de cura. Ainda, analisando o comportamento dos seus sucessores atuais, foi proposto que esses animais emitiam sons em chamadas de socorro, diante de um contexto de lesão e dor. Esse estudo reuniu informações que permitiram propor que, assim como demonstrado com outros animais, os dinossauros também sentiam dor, e isso alterava seus hábitos e comportamentos. Apesar de conclusões definitivas ainda não terem sido alcançadas e evidências concretas serem escassas, o estudo revela pistas promissoras sobre a dor em dinossauros. Referência: HEARN, Les, WILLIAMS, Amanda C. de C. 2019. Pain in dinosaurs: what is the evidence? Phil. Trans. R. Soc. B 374:2019037020190370. http://doi.org/10.1098/rstb.2019.0370 Alerta submetido em 12/05/2023 e aceito em 01/06/2023. Escrito por Maria Vitória Abreu Cardoso de Jesus.

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