Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Dor orofacial e estalo ao mastigar, sinais de uma articulação esquecida

Disfunções das articulações temporomandibulares (DTM) representam desordens que abrangem os músculos mastigadores, a articulação temporomandibular (ATM) e suas estruturas associadas. O aumento da incidência das dores orofaciais relacionadas

DOL · Dor On Line Edição 184 · Novembro 2015 ⭳ Baixar em PDF

Disfunções das articulações temporomandibulares (DTM) representam desordens que abrangem os músculos mastigadores, a articulação temporomandibular (ATM) e suas estruturas associadas. O aumento da incidência das dores orofaciais relacionadas à DTM e suas repercussões na qualidade de vida de indivíduos tem merecido destaque nas investigações em saúde pública. Sabe-se que tais condições se associam a uma etiologia multifatorial, com componentes fisiopatológicos, sociais, culturais e psicológicos. Apesar da população em idade adulta ser a mais afetada, a prevalência da DTM entre adolescentes vem aumentando consideravelmente. Neste sentido, diferentes estudos têm procurado caracterizar a ocorrência da DTM nesta população mais jovem.
Um estudo avaliou uma população brasileira de adolescentes em idade escolar, cursando o ensino público (1.307 alunos com 12 a 14 anos de idade). A ocorrência de DTM foi avaliada de acordo com os Critérios Diagnósticos de Pesquisa para DTM (RDC / TMD) Eixo 1, além de algumas perguntas de um questionário em relação ao histórico (Eixo II). Os fatores associados, ou seja, dificuldade de concentração / atenção, raiva, tristeza, ansiedade, queixas de dor de cabeça, parafunções orais, diurno apertamento da mandíbula, ranger de dentes durante a noite, e o fato de possuir pais que não vivem juntos, foram avaliadas com base nas respostas recebidas pelos adolescentes e seus pais.
No estudo, 56,8% eram meninas, 30,4% dos adolescentes se apresentaram com sintomas de DTM, dos quais 330 (25,2%) tinham diagnóstico de DTM dolorosa. A maioria delas tinha DTM dolorosa de origem muscular (13,1%) e compreendiam casos crônicos (14,9%). As meninas apresentaram maior frequência de DTM geral, DTM dolorosa, DTM dolorosa combinada e DTM dolorosa crônica diagnosticada. Ainda, o estudo apontou queixas de dor de cabeça, parafunções orais, ranger de dentes durante a noite, apertamento diurno da mandíbula, e pais não vivendo mais juntos como fatores significativamente associados ao diagnóstico de DTM (global).
Frente a estes dados pondera-se sobre a necessidade de programas educativos e preventivos sobre DTM e Dor Orofacial em escolas de ensino básico e médio, com o objetivo de diminuir o número de casos de DTM nesta faixa etária, prevenindo ainda a cronificação da DTM que os acompanha a idade adulta. Além disso, aponta-se uma contribuição importante do estado psicológico do indivíduo da DTM, o que deve ser levado em consideração.
Referência: Franco-Micheloni AL, Fernandes G, de Godoi Gonçalves DA, Camparis CM. Temporomandibular Disorders in a Young Adolescent Brazilian Population: Epidemiologic Characterization and Associated Factors. J Oral Facial Pain Headache. 2015, 29(3):242-9. (Alerta submetido em 03/11/2015 e aceito em 03/11/2015)

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