
Dor reduz a motivação sexual das fêmeas, mas não dos machos
A dor crônica é frequentemente associada a disfunção sexual, sugerindo assim que a dor possa reduzir a libido. Um recente trabalho publicado pela revista Journal of Neuroscience avaliou o impacto da dor sobre o desejo sexual de fêmeas e machos. Para avaliar o comportamento das fêmeas, camundongos foram colocados em uma câmara de acasalamento dividida por uma barreira com orifícios pequenos o suficiente para impedir que os machos pudessem passar de um lado ao outro, mas grandes o suficiente apenas para as fêmeas passarem para a área masculina, e escapar de volta a sua própria toca, quando necessário. A dor foi induzida pela injeção de zimozan A (0,5 mg/ml) ou carragenina (2%) nas regiões genitais ou em outras regiões como pata, cauda e bochecha. Os resultados mostraram que as fêmeas gastavam menos tempo com o lado masculino quando estavam com dor e que era possível reavivar o desejo sexual delas quando administrado o analgésico pregabalina. Para avaliar o comportamento dos machos, os roedores foram colocados em uma câmara sem divisão, na qual tinham livre acesso a uma fêmea no cio. Assim, foi observado que o comportamento sexual dos machos não foi afetado em grau algum pelo mesmo nível de dor inflamatória. Estes resultados sugerem que o desejo sexual das mulheres é muito mais dependente do contexto que o dos homens, sendo afetado por diversos fatores como, por exemplo, a autoconfiança. Além disso, os autores sugerem uma possível explicação evolutiva, onde a redução da libido nas fêmeas seria a maneira encontrada pelo organismo e pela natureza de impedir a reprodução em situações de estresse/doença. Referência: Farmer MA, Leja A, Foxen-Craft E, Chan L, MacIntyre LC, Niaki T, Chen M, Mapplebeck JC, Tabry V, Topham L, Sukosd M, Binik YM, Pfaus JG, Mogil JS. Pain reduces sexual motivation in female but not male mice. J Neurosci. 2014 23;34(17):5747-53.