
Dor relacionada ao sexo e raça
O grupo SIG (Special Interest Group), composto por cientistas e clínicos interessados na compreensão dos fatores relacionados ao sexo e raça, divulgou alguns fatores que podem influenciar na experiência de dor. Na publicação de outubro/2000, estão algumas explanações a respeito de evidências da influência do sexo e da raça nos mecanismos da percepção da dor. Nesse trabalho, os autores propõem razões que poderiam explicar tais diferenças.O primeiro fator considerado foi a variação na responsividade aos efeitos analgésicos de drogas opioides, já que a ativação dos receptores kappa em homens diminui a analgesia evocada via receptores mu, enquanto a ativação destes mesmos receptores em mulheres causa somação dos efeitos, levando a hipótese de que os circuitos neuronais que medeiam a sensação dolorosa são diferentes entre homens e mulheres. Wise e colaboradores (2000), examinando a influência da terapia de reposição hormonal (HTR) na dor orofacial em mulheres, propuseram que a HTR poderia ser responsável pelo aumento da sensibilidade à dor em mulheres que fazem uso desta terapia, sugerindo que hormônios específicos de cada sexo estariam agindo como moderadores da resposta analgésica. Um terceiro fator considerado em relação ao potencial de influência da raça e do sexo na modulação da dor, foi em relação à analgesia mediada por receptores colinérgicos nicotínicos, em que o sexo poderia influenciar no potencial analgésico e/ou na eficácia de agonistas específicos para esses receptores.