Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Dores nas costas: uso de analgésicos e exercícios são opções melhores que antiinflamatórios e terapias alternativas

DOL · Dor On Line Edição 88 · Novembro 2007 ⭳ Baixar em PDF

Um estudo publicado no periódico Lancet de novembro mostra que o tratamento de primeira linha em pacientes com dores nas costas, que consiste na administração de paracetamol e manutenção das atividades físicas, apresenta bons resultados e favorece a redução do uso de anti-inflamatórios. Em pacientes cuja resposta ao tratamento de primeira linha é lenta, recomenda-se o tratamento de segunda linha, com o uso de anti-inflamatórios e técnicas de manipulação da coluna. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Sidney, na Austrália, objetivou verificar a melhora que o anti-inflamatório produzia em pacientes que já faziam uso da terapia inicial. Duzentos e quarenta pacientes que estavam fazendo uso de paracetamol e permaneciam com as atividades físicas normais, isto é, não faziam repouso, segundo prescrição médica, foram divididos aleatoriamente em quatro grupos, que receberam diclofenaco e técnicas de manipulação da coluna; placebo e as mesmas técnicas de manipulação da coluna; diclofenaco e técnicas “falsas” de manipulação da coluna; e placebo e técnicas “falsas”. De acordo com os dados obtidos, todos os pacientes se recuperaram de maneira igual no final dos tratamentos adicionais, indicando, portanto, que não houve benefícios clínicos oriundos da terapia de segunda linha. Ainda assim, os autores observaram dados importantes a partir dos resultados, pois o estudo mostra que tanto as terapias alternativas quanto os anti-inflamatórios podem produzir efeitos, de modo que sugere-se que os pacientes podem ser tratados com confiança e sem a necessidade de aumento de gastos com medicamentos, embora não se saiba se os mesmos resultados podem ser aplicados em casos de dores crônicas. Um fato importante que deve ser ressaltado é que as técnicas de manipulação da coluna são complexas e raramente produzem efeitos colaterais quando realizadas por profissionais devidamente habilitados, e podem incluir também mudanças posturais e no estilo de vida, o que pode contribuir para a diminuição das dores. Autores e procedência do estudo: Back Pain Research Group (Hancock, M.J., Maher, C.G., Latimer, J., Spindler, M.F. and McAuley, J.H.), Faculty of Pharmacy (McLachlan, A.J.), Centre for Education and Research on Aging (McLachlan, A.J.) and Discipline of General Practice (Cooper, C.W.), University of Sydney, Sydney, Australia; Department of Clinical Pharmacology, University of Sydney, Sydney, Australia (Day, R.O.); and Australia and St Vincent’s Hospital, Sydney, Australia (Day, R.O.); Referência: Assessment of diclofenac or spinal manipulative therapy, or both, in addition to recommended first-line treatment for acute low back pain: a randomised controlled trial. Lancet, v.370, n.9599, Nov, p. 1638-1643. 2007.

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