Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Efeito da estimulação cerebral profunda subtalâmica na dor na doença de Parkinson

DOL · Dor On Line Edição 151 · Fevereiro 2012 ⭳ Baixar em PDF

Estudos epidemiológicos demonstram que 70 a 80% de pacientes com a doença de Parkinson experimentaram sensações dolorosas, sendo muitas delas correspondentes a dor neuropática e possivelmente relacionadas a alterações no processamento da dor. A estimulação profunda cerebral no subtálamo já é uma ferramenta utilizada nesses pacientes a fim de melhorar a função motora dos mesmos; desse modo, pesquisadores franceses sugeriram uma atuação dessa estimulação na modificação da percepção da dor. Para comprovar tal hipótese, testes de limiar subjetivo de dor e atividade cerebral durante estimulação nociceptiva foram realizados em dois grupos de pacientes com a doença de Parkinson: um grupo com dor neuropática – caracterizada e avaliada por questionários específicos, e outro grupo de pacientes sem dor. Os grupos foram avaliados nos parâmetros descritos em condições denominadas ON, isto é, quando a estimulação cerebral estava acontecendo, e OFF, quando a estimulação havia sido interrompida há pelo menos 3 horas. Os resultados demonstraram que o procedimento foi satisfatório apenas para o grupo de pacientes com dor neuropática, os quais apresentaram uma elevação no limiar da dor e diminuição da ativação cerebral, principalmente em áreas envolvidas com o componente discriminativo da dor; ao passo que os pacientes sem dor não obtiveram resultados significativos em nenhum dos testes avaliados. A eficácia demonstrada indica que tal tratamento pode ser uma opção a dor neuropática em pacientes com Parkinson e que, apesar de não ter efeito significativo em pacientes sem dor, também não representa risco para os mesmos quando utilizado para outras finalidades. Referência: Dellapina E, Ory-Magne F, Regragui W, Thalamas C, Lazorthes Y, Rascol O, Payoux P, Brefel-Courbon C. Effect of subthalamic deep brain stimulation on pain in Parkinson's disease. Pain. 2012 153(11):2267-73.

← Voltar à edição 151