
Efeitos anti-hiperalgésico e anti-edematogênico do ARN077 no modelo de dor persistente induzida pela carragenina
A enzima hidrolizante da amida ácida da N-aciletanolamina (do inglês, NAAA), é uma amidase lipídica localizada em lisossomas e de grande expressão em macrófagos. NAAA catalisa a degradação de etanolamidas de ácidos graxos (do inglês FAEs), entre eles os agonistas de receptores PPAR-γ N-palmitoiletanolamida (PEA) e N-oleoiletanolamida (OEA). Estudos prévios identificaram a primeira classe de inibidores de baixo peso molecular da atividade de NAAA e mostraram que essas moléculas podem impedir o desenvolvimento de respostas inflamatórias tanto in vitro como in vivo pelo aumento da sinalização dos FAEs. Prosseguindo nessas descobertas, foi identificada uma segunda geração de inibidores covalentes potentes e seletivos de NAAA, entre os quais ARN077 foi o melhor representante. O objetivo do presente trabalho foi demonstrar as atividades anti-inflamatórias e analgésicas dos inibidores de NAAA in vivo através do teste do ARN077 no modelo de dor persistente induzido pela carragenina. λ-carragenina (1% p/v em água estéril, 20 μL) foi injetada subcutaneamente na superfície plantar da pata esquerda de camundongos. Os volumes das patas dos animais foram medidos com um pletismômetro em diferentes intervalos de tempo. O limiar de retirada das patas ao estímulo mecânico foi medido 2, 4, 6, 24, 48, 72 e 96 h após a administração de carragenina. A hiperalgesia mecânica foi avaliada pela medida da latência em segundos (s) para a retirada da pata à pressão mecânica constante exercida na superfície dorsal após a injeção de carragenina. A administração de ARN077 90 min após a o estímulo inflamatório reverteu de maneira dose-dependente o efeito edematogênico e hiperalgésico induzido pela carragenina. Pela via intraplantar, o ARN077 foi administrado entre 0,05-50 mg/camundongo e um efeito significativo foi observado em todas as doses. Pela via tópica, o composto foi administrado entre 1 e 30 % e eficácia significativa foi observada em todas as doses, exceto a concentração mais baixa (1 %). Em ambas as vias, a atividade do composto ainda foi observada após 24 h. Os mecanismos da atividade in vivo do ARN077 foram estudados pela administração da dose de 30 % topicamente com diferentes antagonistas administrados através da injeção intraplantar na dose de 1 mg/camundongo. O antagonista de receptores PPAR-γ, GW6471, suprimiu completamente os efeitos do ARN077, enquanto ambos antagonistas de receptores canabinoides AM251 (antagonista CB1) e AM630 (antagonista CB2) não se mostraram efetivos. ARN077 também foi estudado em animais knock-out para receptores PPAR-γ. Neste modelo não foi observado qualquer efeito do composto em todas as doses estudadas, em oposição ao efeito observado nos animais selvagens. Os presentes resultados demonstram que o composto ARN077 é uma molécula anti-inflamatória muito eficiente no modelo da dor inflamatória induzida pela carragenina. O uso de antagonistas seletivos confirmou que a eficácia in vivo do ARN077 não é mediada por receptores canabinoides periféricos, mas deriva da ativação do receptor PPAR-γ. Os presentes resultados confirmam que o NAAA poderia ser um alvo para futuras drogas anti-inflamatórias e analgésicas. Fontes: Oscar Sasso, PhD, Pesquisa e desenvolvimento de drogas, Instituto Italiano de Tecnologia; Rosalia Bertorelli, PhD, Pesquisa e desenvolvimento de drogas, Instituto Italiano de Tecnologia; Daniele Piomelli, PhD, Pesquisa e desenvolvimento de drogas e Departamento de Farmacologia e Química Biológica, Instituto Italiano de Tecnologia e Universidade da Califórnia; Angelo Reggiani, PhD, Pesquisa e desenvolvimento de drogas, Instituto Italiano de Tecnologia.