Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

Eficácia de medicamentos para a osteartrite

A osteoartrite é uma doença crônica degenerativa das articulações bastante frequente e comumente causa de dor e incapacidade física, atingindo principalmente trabalhadores braçais, diabéticos e obesos. O tratamento para a dor leve e moderad

DOL · Dor On Line Edição 190 · Maio 2016 ⭳ Baixar em PDF

A osteoartrite é uma doença crônica degenerativa das articulações bastante frequente e comumente causa de dor e incapacidade física, atingindo principalmente trabalhadores braçais, diabéticos e obesos. O tratamento para a dor leve e moderada da osteoartrite é baseado em anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e Paracetamol, sendo que a frequência de uso do paracetamol é maior por induzir menos efeitos colaterais
As estimativas sugerem que 26,9 milhões dos adultos só nos Estados Unidos têm a doença e é a principal causa de dor em idosos, prejudicando a atividade física e, consequentemente, aumentando o risco de obesidade e doenças cardiovasculares.
No estudo deste alerta foi realizada uma meta análise com dados da literatura dos últimos 35 anos, totalizando 58.556 pacientes de ensaios randomizados que utilizaram como tratamento para a dor AINEs, paracetamol ou placebo. Observaram que existe uma variedade muito grande em relação às doses utilizadas e, ao prescrever AINEs, os médicos são confrontados com essa miríade de diferentes dosagens, o que representa um desafio para a tomada de decisão clinica.
Após comparar os tratamentos com diferentes AINEs (como diclofenaco, etoricoxibe e rofecoxibe), paracetamol ou placebo, o diclofenaco pareceu ser o mais eficaz na redução da dor e melhora da função física, sendo que o paracetamol, o mais utilizado, teve um efeito quase nulo sobre os sintomas da dor em várias doses.
Embora os resultados sugiram que alguns AINEs tenham efeito relevante sobre a dor da osteoartrite, existem também a preocupação com os efeitos adversos. O diclofenaco, por exemplo, pode resultar em alterações cardiovasculares e o naproxeno, pode resultar em complicações do trato gastrointestinal superior. A eficácia do medicamento foi dependente da dose, mas não existem evidências de que as doses supramáximas dos outros AINEs aumenta a sua eficácia, uma vez que os dados de segurança foram associados a problemas gastrointestinais e danos cardiovasculares. Esse estudo pode ajudar a esclarecer os dados de segurança.
A análise sugere que o paracetamol é clinicamente ineficaz e não deve ser recomendado para o tratamento da osteoartrite, independente da dose. Já o diclofenaco é eficaz na dose máxima de 150mg/dia e superior ao outros utilizados com frequência, incluindo o ibuprofeno, naproxeno e celecoxibe. O medicamento Eterocoxibe na dose de 60mg/dia foi tão eficaz quanto o diclofenaco, mas seu efeito na incapacidade física foi impreciso e o Eterocoxibe não é tão acessível como o diclofenaco pelo fato de não ter autorização de comercialização em alguns países.
Com base nos dados disponíveis, os autores forneceram evidências favoráveis à eficácia dos medicamentos utilizados. No entanto, os médicos precisam considerar estes resultados juntamente com as informações de segurança dos AINEs e da condição de cada paciente. Referência: da Costa BR, Reichenbach S, Keller N, Nartey L, Wandel S, Júni P, Trelle S. Effectiveness of non-steroidal anti-inflammatory drugs for the treatment of pain in knee and hip osteoarthritis: a network meta-analysis. Lancet. 2016 Mar 17. pii: S0140- 6736(16)30002-2. doi: 10.1016/50140-6736(16)30002-2. [Epub ahead of print].
Alerta submetido em 06/04/2016 e aceito em 12/04/2016.

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