
Enfermagem e a dor na criança internada
A imaturidade do sistema nervoso seria capaz de poupar as crianças das sensações dolorosas, mas esta hipótese atualmente é questionável, pois crianças de um ano e seis meses são capazes de expressar e localizar muito bem a dor. O método utilizado para avaliação da dor em crianças de zero a dois anos é a escala comportamental NIPS (Neonatal Infant Pain Scale), composta por seis indicadores de dor (cinco comportamentais e um fisiológico). A escala inclui a análise da expressão facial, choro, movimentação de braços e pernas, estado de sono e padrão respiratório. O método usado para crianças de dois a sete anos é a escala de faces que vai da sorridente até a muito triste e, em crianças com mais de sete anos, é a escala numérica verbal que vai de zero (sem dor) a dez (dor intensa). As mudanças comportamentais são os indicadores mais importantes, principalmente em crianças intubadas, traqueostomizadas ou com retardo mental. Devido a isso, a participação dos pais é muito importante. O objetivo do estudo realizado em uma Unidade de Pediatria e Hospital Dia de um hospital geral, particular, de grande porte, foi analisar o conhecimento da equipe de enfermagem em relação aos instrumentos para avaliar a dor em crianças internadas para um tratamento mais adequado. A pesquisa se baseou em nove enfermeiros e nove técnicos de enfermagem com, no mínimo, um ano de experiência, utilizando recursos da abordagem quantitativo-exploratório. Foi elaborado um roteiro de entrevista com cinco questões sobre conhecimentos dos instrumentos para avaliação da dor, assistência à criança com dor e sentimento do profissional frente à dor da criança. A equipe de enfermagem, que passa a maior parte do tempo com o paciente pediátrico e mantêm uma relação de proximidade com ele e seus familiares, é a primeira a perceber a dor da criança, em decorrência de mudanças nas atividades ou no comportamento, por isso a relevância e necessidade de avaliar a dor e promover uma assistência para seu alívio. Segundo os direitos da criança e do adolescente internado, toda criança tem o direito de não sentir dor enquanto existam meios para evitá-la, mas, para isso, é necessário avaliar de forma adequada a dor. Os resultados indicaram que os técnicos e enfermeiros não conhecem todos os instrumentos para avaliar a dor em crianças internadas, mas destacaram a importância de avaliar a dor, a humanização, as possibilidades terapêuticas e a necessidade de desenvolver a percepção. Em relação à sua experiência em lidar com a dor, destacaram a impotência, a racionalização do uso de analgésicos e a importância da comunicação com familiares e com a criança. Referência: Kanai, K.Y., Fidelis, W.M.Z. Conhecimento e percepção da equipe de enfermagem em relação à dor na criança internada. Revista Dor 2010;11(1):20-27 1.