
Enxaqueca, aura e Acidente Vascular Encefálico
Durante crises de enxaqueca podem ocorrer sintomas como sensibilidade à luz, visão turva e fadiga, que não devem ser confundidos com “aura”. A aura caracteriza-se normalmente por fenômenos sensoriais temporários que duram de 15 a 30 minutos, compreendendo distúrbios visuais, tais como cegueira parcial, visão de pontos luminosos semelhantes a “lanterninhas”, vaga-lumes ou "flashes" que brilham e piscam, podendo assumir formas em ziguezagues estacionários ou mover-se ao longo do campo visual, começando no canto ou no centro da visão e depois se expandindo. Tais distúrbios podem afetar um ou ambos os olhos. É sabido que a aura é acompanhada de estresse oxidativo associado à hipovolemia disseminada (estado de diminuição do volume sanguíneo), com aumento de citocinas circulantes e MMP-9, podendo deflagrar uma disfunção endotelial com remodelamento vascular, inflamação, hipercoagulação e prejuízo na reatividade vascular, o que, com o tempo, pode acarretar um Acidente Vascular Encefálico (AVE). Uma revisão sistemática e metanálise, liderada por Markus Schurks, objetivou associar enxaqueca com doenças cardiovasculares, incluindo AVE, infarto do miocárdio (IM) e também morte devido a doenças cardiovasculares. Os resultados do estudo apontam maior risco relativo de ocorrência de AVE sistêmico em pessoas que relataram enxaqueca com aura em relação àquelas com enxaqueca sem aura (o risco não se elevou nesses pacientes). Os riscos também se elevam com alguns fatores, tais como gênero (sexo feminino), tabagismo e, também, uso de contraceptivos orais contendo estrogênio. No entanto, não há motivos para desespero. Alerta-se apenas para alguns cuidados especiais aos pacientes que se enquadram nos fatores de risco. Parar de fumar e usar contraceptivos sem estrogênio são precauções que podem ser tomadas pelas pessoas que sofrem de enxaqueca com aura. Qualquer dúvida consulte seu médico. Fonte: http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?LangType=1046&banner=rc_pain&menu_id=49&id=24286 Referência: Schurks M, Rist PM, Bigal ME, Buring JE, Lipton RB, Kurth T. Migraine and cardiovascular disease: systematic review and meta-analysis. BMJ. 2009;339:b3914. doi: 10.1136/bmj.b3914.