
Enzimas metaloproteinases são fundamentais para a gênese da dor neuropática após injúria de nervos periféricos
O tratamento das dores neuropáticas é um desafio constante na clínica uma vez que os mecanismos envolvidos em sua gênese não são bem compreendidos. Em um recente trabalho publicado no periódico Nature Medicine, considerada a principal revista médica, pesquisadores da Universidade de Harvard, nos EUA, demonstraram de forma inequívoca que as enzimas metaloproteinases (MMP), principalmente do tipo MMP-9 e MMP-2, estão envolvidas no aparecimento dos fenômenos associados a lesões de nervos periféricos, como hiperalgesia e alodinia. As MMPs são importantes no remodelamento tecidual e participam também em processos inflamatórios. Os autores mostraram que estas duas MMPs desempenham papéis diferentes no desenvolvimento de quadros neuropáticos, sendo que a MMP-9 estaria envolvida na indução, enquanto a MMP-2 seria importante na manutenção deste quadro. Os mecanismos pelos quais estas enzimas contribuem para a gênese da dor neuropática parecem envolver a estimulação da produção da citocina pró-inflamatória interleucina-1β (IL-1β), que também desempenha papel importante na gênese da dor neuropática. Com estes achados, os autores sugerem que as MMPs poderiam ser um interessante alvo para o desenvolvimento de drogas para tratar neuropatias. Autores e procedência do estudo: Kawasaki Y, Xu ZZ, Wang X, Park JY, Zhuang ZY, Tan PH, Gao YJ, Roy K, Corfas G, Lo EH, Ji RR - Pain Research Center, Department of Anesthesiology, Brigham and Women's Hospital and Harvard Medical School, 75 Francis Street, Medical Research Building, Room 604, Boston, Massachusetts 02115, USA; Referência: Distinct roles of matrix metalloproteases in the early- and late-phase development of neuropathic pain. Nat Med. 2008 Mar;14(3):331-6. Epub 2008 Feb 10.