
Estudo mostra que a morfina altera o componente afetivo da dor mais que o componente sensorial - segundo os autores, essa diferença no perfil de ação pode ser considerada na clínica a fim de melhorar a efetividade de protocolos terapêuticos que utilizam essa droga e diminuir efeitos colaterais pela redução da dose
Embora atualmente seja considerado que o efeito analgésico da morfina está associado tanto à modulação do sistema sensorial nociceptivo quanto do sistema afetivo, a sensibilidade destes dois componentes à morfina ainda não é bem compreendida. Em um recente trabalho publicado no periódico Pain, Elizabeth van der Kam e colegas demonstraram que o tratamento de ratos com morfina em baixas doses é capaz de modular o componente afetivo avaliado pela capacidade que os animais têm de evitar lugares aversivos em situações de inflamação. Com esta mesma dose a morfina não alterou o componente sensorial da dor inflamatória. De acordo com os autores do trabalho, estes resultados sugerem que o componente afetivo da dor é mais sensível à morfina do que o componente sensorial. Autores e procedência do estudo: Elizabeth Louise van der Kam(*), Jean De Vry, Klaus Schiene, Thomas Michael Tzschentke - Grunenthal GmbH, Preclinical Research and Development, Department of Pharmacology, Zieglerstrasse 6, 52078 Aachen, Germany; Referência: Differential effects of morphine on the affective and the sensory component of carrageenan-induced nociception in the rat. Pain. 2007 Sep 5 – article in press.