
Estudo sugere a utilização de complexos vitamínicos para reduzir sintomas de neuropatias
A tiamina, a piridoxina e a cianocobalamina, também conhecidas como vitaminas B1, B6 e B12, respectivamente, são clinicamente utilizadas para o tratamento de algumas dores neurológicas, tais como nevralgia do nervo trigêmio, dores ciáticas e relacionadas à diabetes e artrite reumatoide, além de possuírem, também, efeitos anti-inflamatórios. Baseados nestes fatos, Wang e cols. investigaram os efeitos analgésicos dessas vitaminas em ratos em modelos de dor neuropática causada por compressão do gânglio espinal ou ligadura do nervo ciático. Após a indução de neuropatia, os animais apresentaram diminuição significativa da latência de retirada da pata no teste de hiperalgesia térmica (teste de Hargreaves) e diminuição no limiar de retirada da pata medida no teste mecânico (estimulação com filamentos de von Frey). A injeção intraperitoneal das vitaminas B1, B6 ou B12 reduziu significantemente a hiperalgesia térmica. Além disso, a combinação das três vitaminas apresentou efeito sinérgico neste teste. A administração repetitiva do complexo de vitaminas B por uma ou duas semanas produziu inibição de longa duração da hiperalgesia induzida pela compressão e/ou ligadura. Entretanto, as vitaminas não afetaram a hiperalgesia mecânica ou a sensação normal à dor. Embora os resultados tenham mostrado maior eficácia dos tratamentos com as vitaminas no teste térmico, os autores sugerem uma possível utilidade clínica para as vitaminas B no tratamento de dores de origem neuropática após dano, inflamação, degeneração ou outras desordens no sistema nervoso de seres humanos. Nota da redação: O estudo reforçou a que já se supunha, enfatizando a utilização conjunta das vitaminas para tais efeitos. Além disso, o autor somente destacou sua utilização clínica, não mencionando, nem supondo, os mecanismos farmacológicos pelos quais estas vitaminas poderiam estar agindo. Também seria interessante que fosse feita a injeção intratecal destas vitaminas e/ou complexos, visto que são hidrossolúveis e, portanto, incapazes de atravessar a barreira hemato-encefálica e alcançar o sistema nervoso central.