
Evolução da dor em pós-operatório de distúrbios musculoesqueléticos
Acompanhamento de três meses após cirurgia se mostra bem mais eficaz para identificar a evolução de sinais do processamento somatossensorial em pacientes com distúrbios musculoesqueléticos a fim de evitar a dor crônica pós-cirúrgica. Um gru
Acompanhamento de três meses após cirurgia se mostra bem mais eficaz para identificar a evolução de sinais do processamento somatossensorial em pacientes com distúrbios musculoesqueléticos a fim de evitar a dor crônica pós-cirúrgica. Um grupo de pesquisa em reabilitação, na Bélgica, promoveu uma revisão sistemática com o objetivo de resumir todos os estudos que mediram como os sinais do processamento de dor evoluíram após cirurgias para a correção de lesões de
tecidos, ossos, músculos ou ligamentos e encontrar preditores perioperatórios para a evolução desses sintomas, visto que esse complexo sistema de neurônios sensoriais foi previamente estudado como potencial causador de dor crônica pós- cirúrgica. No entanto, as conclusões devem ser interpretadas com cautela, já que por meio da revisão desses estudos observa-se que a melhora das variáveis relacionadas à dor leva tempo. Essa revisão sistemática foi composta por vinte e um estudos (dezoito estudos de coorte e três ensaios clínicos randomizados), sendo que dezessete estudos incluíram pacientes que receberam cirurgia de substituição total da articulação devido a osteoartrite, um estudo incluiu um paciente com articulação temporomandibular fechada que por isso recebeu discectomia e três estudos incluíram pacientes com hérnia de disco lombar que receberam sequestrectomia. Tais estudos mostravam a avaliação da dor pós-operatória por meio de teste sensorial quantitativo estático ou dinâmico e por meio do acompanhamento de três meses após a cirurgia. Em relação à evolução dos sinais de processamento somatossensorial, o agravamento ou o alívio desses sintomas só foi percebido com um acompanhamento de três meses pós-cirúrgico. Além disso, obteve-se resultados positivos com o teste sensorial quantitativo dinâmico. Em relação aos preditores de mudança nos sinais do sistema somatossensorial, a melhora da pressão da dor também só foi observada ao longo do tempo. Portanto, evidencia-se que a piora ou a melhora de alguns sinais do sistema somatossensorial só pôde ser observada em um acompanhamento de até três meses após a cirurgia. Ademais, a redução da dor ao longo do tempo é um importante preditor para a melhora dos sintomas relacionados ao sistema sensorial somático. Referência: Vervullens, Sophiea,b,c; Meert, Lottea,b,c; Meeus, Miraa,c,d,*; Baert, Isabela,c; Heusdens, Christiaan H.W.e,f; Caethoven, Cleoa; Charpentier, Ninaa; Vervliet, Ambera; Smeets, Rob J.E.M.b,c,g. Evolution of somatosensory processing signs after nociceptive targeted surgery in patients with musculoskeletal disorders: a systematic review. PAIN 164(7):p 1428-1450, July 2023. | DOI: 10.1097/j.pain.0000000000002867 Alerta submetido em 27/06/2023 e aceito em 27/06/2023. Escrito por Gabriela Oliveira Gonçalves.