
Fibrilação atrial, risco cardiovascular e AINEs
Um estudo realizado no norte da Dinamarca, baseado em dados médicos do país, avaliou informações de aproximadamente dez anos, buscando analisar o uso dos AINEs, que são anti-inflamatórios não esteroides, e o risco para fibrilação atrial ou flutter, que pode ser definida como ritmo cardíaco irregular proveniente dos átrios (câmaras do coração). O artigo é o primeiro a incluir a arritmia mais comum na prática clínica à relação do uso de AINES e do risco cardiovascular. Já se sabe que os AINEs compartilham propriedades analgésicas, antitérmicas, anti-inflamatórias e, em alguns casos, antitrombóticas, e que são compostos por grupos quimicamente diferentes, classificando-se em inibidores seletivos e não seletivos de COX-2. A pesquisa obtém como resultado o risco maior de fibrilação atrial em usuários de AINEs seletivos para COX-2. Constatou-se que fatores como idade avançada, doença crônica renal e artrite reumatoide também contribuem para a ocorrência do problema cardíaco. Os medicamentos celecoxib e diclofenaco apresentaram maiores incidências em comparação com o uso de ibuprofeno. Comprimidos com doses mais elevadas de ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco foram associados com riscos mais elevados do que comprimidos de baixa dose dos mesmos medicamentos. Os pesquisadores precisaram ter alguns cuidados para caracterizar melhor os usuários e, mesmo com a falta de alguns dados sobre o estilo de vida destes participantes, puderam relacionar riscos maiores em pacientes idosos, pacientes com doenças renais e novos usuários de AINEs, pois os efeitos adversos renais aconteceram em curto prazo e esses efeitos podem estar relacionados com a fibrilação atrial. Em comparação com não usuários, os novos usuários (pacientes que aderiram ao uso de AINEs nos últimos 60 dias) possuem um risco aumentado em 40% usando AINEs não seletivos e 70% usando AINEs seletivos para COX-2. O estudo demonstra, então, um risco mais elevado para o uso dos AINEs seletivos para COX-2, pois esses inibem a produção de derivados da prostaciclina, prejudicando uma variedade de processos fisiológicos, incluindo o risco de fibrilação atrial. Fica evidente que a atenção no momento da prescrição de AINEs é necessária, pois estes mostraram riscos relacionados ao seu uso, incluindo a fibrilação atrial. Referência: Schmidt M, Christiansen CF, Mehnert F, Rothman JK, Rothman JK. Non-steroidal anti-inflammatory drug use and risk of atrial fibrillation or flutter: population based case-control study. British Medical Journal 2011;343:d3450.