
Filhos de mães com dores crônicas têm maior propensão a problemas psicológicos e sociais
Os problemas pelos quais uma mãe passa não são normalmente suportados sem reflexos sobre os filhos ou marido. Apesar do desejo dos pais de protegê-los de seus próprios problemas, os membros da família inevitavelmente acabam por compartilhá-los, e as crianças normalmente são as pessoas mais propensas a sofrer as consequências de testemunhar o stress e o sofrimento de uma mãe. Isso tem sido mostrado pela literatura científica, que mostra que a depressão materna e os conflitos do casamento relacionam-se de alguma maneira com o risco de desenvolvimento de problemas de saúde psicológica como depressão infantil e ansiedade. Assim, os pesquisadores Subhadra Evans, da Universidade Brunel, no Reino Unido, Edward Shipton, da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, e Thomas Keenan, do Niagara College, em Ontário, estudaram os efeitos que a dor crônica materna pode apresentar sobre comportamentos como internalização, extroversão e seus reflexos sociais e na saúde de seus filhos. Comparando a maneira de cuidar das crianças apresentadas por mães com dores crônicas e que não apresentavam dores, e observando seus filhos, os autores do estudo verificaram que as crianças filhas de mães com dores crônicas tinham relação menos fraternal com os pais, provavelmente por essas mães serem mais bravas e menos pacientes. Assim, o estudo sugere que uma educação problemática dos filhos pode ser considerada parte dos riscos que a dor crônica materna apresenta para as crianças, do mesmo modo que a depressão. Considerando o impacto que a dor crônica tem sobre a sociedade em geral, representando um grande problema de saúde pública, o estudo tem grande importância, já que as mães que sofrem dessas dores, em muitos casos, têm, além de lidar com o sintoma para realizarem seus afazeres diários, o desafio de cuidar e educar seus filhos. Apesar das estratégias utilizadas pelos pais na educação de seus filhos ser motivo de muitas discussões, o fato que torna esse estudo relevante é mostrar mais um fator externo – no caso a dor materna – extremamente comum que pode influenciar diretamente a qualidade e saúde das crianças. (LFF) Referência: The Relationship Between Maternal Chronic Pain and Child Adjustment: The Role of Parenting as a Mediator. The Journal of Pain, Vol 7, No 4 (April), 2006: pp 236-243.