
Fisiopatologia da dor radicular está associada à ativação da proteína quinase regulada por sinal extracelular (ERK) no gânglio da raiz dorsal
A inflamação do neurônio aferente primário no gânglio da raiz dorsal e na porção proximal da fibra neuronal (raiz aferente) induz à chamada dor radicular. Obata e cols. avaliaram o comportamento indicativo de dor radicular e ativação da proteína quinase regulada por sinal extracelular (ERK) após inflamação próxima ao gânglio da raiz dorsal (GRD) em ratos. A inflamação das raízes dos nervos lombares L4-L5 e GDR, induzida pela administração local de Adjuvante Completo de Freund (CFA) ou Fator de Crescimento Neuronal (NGF), produziu alodinia mecânica na pata ipsilateral, ativou a ERK em neurônios sensoriais finos e aumentou a expressão do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) no GRD. Além disso, foi verificado que a fosforilação da ERK induzida pelo CFA ocorre via tirosina quinase, uma vez que o inibidor de tirosina quinase K252a foi capaz de reduzi-la. No caso do NGF, a ativação da ERK e expressão de BDNF foi inibida pelo U0126, inibidor de proteína quinase. A partir destes resultados, os autores sugerem que, após uma inflamação próxima ao GDR, o NGF sintetizado pelo nervo induz a expressão de BDNF via tirosina quinase e fosforilação da ERK. A ativação dessa proteína quinase no neurônio aferente primário pode estar envolvida na fisiopatologia da dor radicular induzida por inflamação. Nota da redação: Apesar dos inúmeros trabalhos evidenciando o papel da ERK nos mecanismos de hipernocicepção, a determinação de seus alvos específicos de ação e possíveis sítios de interferência farmacológica ainda necessita de mais estudos.