Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Flora intestinal e cólica em bebês e adultos

DOL · Dor On Line Edição 131 · Junho 2010 ⭳ Baixar em PDF

Pesquisadores investigaram cólicas em bebês e analisaram a origem destas cólicas, que variavam desde as alergias até os hormônios presentes no leite, o estresse no útero e as bactérias intestinais nos bebês. O estudo descobriu que crianças que sofriam de cólicas tinham inflamação gastrointestinal resultante de um desequilíbrio na flora bacteriana, com mais bactérias prejudiciais e poucas benéficas. Bebês que não sofriam de cólicas possuíam uma quantidade maior de bactérias benéficas e não tinham inflamação. Foram analisados 83 bebês, alimentados com leite materno e que sofriam de cólicas. Alguns receberam medicação que reduz a presença de gases (dimeticona) e outros receberam suplemento com Lactobacillus reuteri, probióticos encontrados no iogurte. Os probióticos são micrORGANISMOs vivos que colonizam o cólon e auxiliam na digestão, resposta imunológica e podem ser benéficos na redução da gravidade e incidência da gastroenterite, diarreia e cólica em bebês. Após 28 dias com estes tratamentos, os bebês que receberam dimeticona choravam 2 horas e meia por dia. O outro grupo que recebeu suplemento probiótico chorava apenas 51 minutos por dia. Outro estudo realizado mais recentemente sugere que a identificação do tipo particular de flora bacteriana fecal serve como biomarcador para determinar se um indivíduo poderá comer de tudo e mesmo assim continuar magro ou se terá maior incidência de dor intestinal ao ingerir um medicamento do que outros indivíduos. O estudo foi realizado com amostras fecais de 22 indivíduos europeus, 13 japoneses e 4 americanos submetidas ao sequenciamento genético para a determinação filogenética bacteriana. Como resultado, os autores identificaram a existência de três diferentes populações de bactérias intestinais: as do gênero Bacteroides, as Prevotella e os Ruminococcus. As características bioquímicas particulares de cada grupo bacteriano permitiram aos autores demonstrar que o grupo de indivíduos que apresentavam predomínio de bactérias Provetella, capazes de degradar o muco intestinal, estavam mais propensos a apresentar dor intestinal de maior intensidade ao ingerir medicamentos, quando comparado com outros indivíduos. Já os indivíduos que apresentavam predomínio de bactérias Bacterioides e Ruminococcus apresentam, respectivamente, menor e maior tendência a ganhar peso. Portanto, os autores sugerem que estes resultados podem ajudar a apontar a causa de obesidade e de doença inflamatória intestinal e, assim, personalizar o diagnóstico médico. Referências: Klein K, Stevens R. The clinical use of probiotics for young children. J Fam Health Care. 2008;18(2):66-8; Arumugam M, Raes J, Pelletier E, Le Paslier D, Yamada T, Mende DR, Fernandes GR, Tap J, Bruls T, Batto JM, Bertalan M, Borruel N, Casellas F, Fernandez L, Gautier L, Hansen T, Hattori M, Hayashi T, Kleerebezem M, Kurokawa K, Leclerc M, Levenez F, Manichanh C, Nielsen HB, Nielsen T, Pons N, Poulain J, Qin J, Sicheritz-Ponten T, Tims S, Torrents D, Ugarte E, Zoetendal EG, Junwang, Guarner F, Pedersen O, de Vos WM, Brunak S, Doré J, Consortium M, Weissenbach J, Ehrlich SD, Bork P. Enterotypes of the human gut microbiome. Nature. 2011 Jun 8. [Epub ahead of print].

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