Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Grupo de pesquisadores dinamarqueses caracteriza modelo animal de alodinia músculo-esquelética e sugerem seu uso para o estudo de dores crônicas humanas

DOL · Dor On Line Edição 56 · Março 2004 ⭳ Baixar em PDF

A dor músculo-esquelética em humanos é frequentemente refratária ao tratamento com analgésicos convencionais, o que reforça a necessidade do desenvolvimento de modelos animais apropriados para seu estudo. Um modelo animal de dor músculo-esquelética foi descrito e validado recentemente. Nesse estudo, ratos receberam duas injeções de salina com pH 4,0, com intervalo de 5 dias entre cada injeção, no músculo gastrocnêmio lateral. O limiar nociceptivo da pata tratada e da contralateral foi avaliado nos seguintes testes nociceptivos: alodinia mecânica (filamentos de von Frey), hiperalgesia mecânica (“pin prick”) e hiperalgesia térmica (teste de Hargreaves). Após o tratamento, os animais apresentaram significativa redução do limiar de resposta a filamentos de von Frey durante quatro semanas, sem alterações nos demais testes. Além disso, analgésicos de diferentes classes administrados por via sistêmica induziram efeito antinociceptivo neste modelo em doses que não produziram alterações motoras, avaliadas no teste de rotarod. Os autores sugerem que este modelo pode ser útil para o estudo da fisiopatologia da dor músculo-esquelética. Nota da redação: A correlação do fenômeno nociceptivo descrito nesse trabalho com quadros crônicos de dor músculo-esquelética observados em pacientes humanos deve ser cautelosa. A dor músculo-esquelética crônica é geralmente associada à hiperalgesia, entretanto, os autores não observaram alteração do limiar nociceptivo em modelos que avaliam a resposta a estímulos nocivos.

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