Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Hiperalgesia induzida por quimioterápico

Pesquisadores da University of California San Francisco (São Francisco, Califórnia), estudaram a oxaliplatina, um quimioterápico que recorrentemente induz neuropatia periférica no paciente, e sua relação com o estresse neuroendócrino e a hi

DOL · Dor On Line Edição 279 · Outubro 2023 ⭳ Baixar em PDF

Pesquisadores da University of California San Francisco (São Francisco, Califórnia), estudaram a oxaliplatina, um quimioterápico que recorrentemente induz neuropatia periférica no paciente, e sua relação com o estresse neuroendócrino e a hiperalgesia (maior sensibilização dos receptores de dor) através de estudos em ratos. Na pesquisa foram utilizados ratos machos que foram submetidos a um analgesímetro de Ugo Basile para quantificar mecanicamente os receptores de dor, que se baseou em aplicar uma força mecânica crescente no dorso da pata traseira dos ratos até que o limiar de dor era quantificado quando o animal retirava a pata. Os roedores foram divididos em 2 grupos, o primeiro era submetido à adrenalectomia bilateral, enquanto o grupo controle era submetido à uma adrenalectomia simulada, em que as glândulas eram somente localizadas e manipuladas, mas não retiradas. Para suprir os níveis basais de hormônios produzidos pelas adrenais, aqueles ratos que sofreram adrenalectomia recebiam doses diárias de suplementação. Para a criação dos animais, foi utilizado um protocolo de manejo de neonato com o intuito de melhorar a resiliência contra estresse nos filhotes. As testagens mostraram que a neuropatia periférica induzida por oxaliplatina não se tornou crônica nos animais resilientes ao estresse, dando suporte à teoria de que

o priming hiperalgésico (mecanismo de transição de dor aguda para dor crônica) induzido por oxaliplatina é dependente de estresse. Vale ressaltar que a oxaliplatina, além de induzir um priming hiperalgésico, também causa uma hiperalgesia própria de efeito colateral. A partir do exposto, sugere-se que fatores ambientais e individuais são capazes de interferir no tratamento quimioterápico, uma vez que diferentes níveis de estresse neuroendócrino podem levar a desfechos diferentes em relação aos medicamentos administrados. Podendo levar à cronicidade de alguns efeitos colaterais da quimioterapia. Isso possibilita novas abordagens para o tratamento de neuropatia periférica induzida por quimioterapia. Referência: Branco P, Berger S, Abdullah T, Vachon-Presseau E, Cecchi G, Apkarian AV. Predicting placebo analgesia in patients with chronic pain using natural language processing: a preliminary validation study. Pain. 2023 May 1;164(5):1078-1086. doi: 10.1097/j.pain.0000000000002808. Epub 2022 Oct 18. PMID: 36524810; PMCID: PMC10106359 Alerta submetido em 21/07/2023 e aceito em 28/07/2023. Escrito por Gustavo Lee Minari.

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