Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

IASP atualiza o conceito de dor

Como você definiria a dor? Encontrar palavras capazes de descrever toda a sua complexidade de uma forma correta e concisa pode ser bastante difícil. Porém, mesmo conhecendo o desafio, em 1979, a Associação Internacional para o Estudo da Dor

DOL · Dor On Line Edição 241 · Agosto 2020 ⭳ Baixar em PDF

Como você definiria a dor? Encontrar palavras capazes de descrever toda a sua complexidade de uma forma correta e concisa pode ser bastante difícil. Porém, mesmo conhecendo o desafio, em 1979, a Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) a definiu como: “uma experiência sensorial e emocional desagradável associada à lesão tecidual, real ou potencial, ou descrita em termos desta lesão”. Porém, com o passar dos anos, os estudos e o entendimento sobre a dor foram se aprimorando. Assim, a definição feita em 1979 já não se adequava à atualidade, e vários especialistas passaram a defender uma revisão. As principais críticas destinavam-se à desconsideração de vários fatores que influenciam diretamente na expressão da dor, principalmente aspectos sociais, como a baixa inclusão de grupos como neonatos, por exemplo, e seres vivos não humanos. Considerando todas as discussões, a IASP iniciou uma força-tarefa em 2018 com vários especialistas sobre o tema, para que tanto a definição da dor quanto as observações e notas que a acompanham pudessem ser redefinidas. No ano de 2020, a revisão foi concluída e publicada versão comentada em língua inglesa. No Brasil, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor – SBED publicou sua tradução

para a língua portuguesa: “Uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada, ou semelhante àquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial”. Sendo assim, as principais mudanças aparecem na definição, com o reforço de que a dor não necessariamente estará relacionada à lesão tecidual. Já as observações e notas enfatizam aspectos sociais como o de que a dor é uma experiência pessoal e empírica, por isso é bastante variável. Também foi reforçado que todo relato de dor deve ser respeitado e precisa ser visto pela perspectiva de quem a está sentindo, e não o contrário. Além disso, foi certificado que a forma verbal não é a única maneira de se expressar a dor e também outras observações que dão uma característica mais inclusiva para a definição. Referências:  Raja SN, Carr DB, Cohen M, et al. The revised International Association for the Study of Pain definition of pain: concepts, challenges, and compromises [published online ahead of print, 2020 May 23]. Pain. 2020;10.1097/j.pain.0000000000001939. doi:10.1097/j.pain.0000000000001939  De Santana JM, Perissinotti DMN, Oliveira Junior JO, et al. Tradução para a língua portuguesa da definição revisada de dor pela Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. Disponível em: https://sbed.org.br/wp- content/uploads/2020/08/Defini%C3%A7%C3%A3o-revisada-de-dor_3.pdf Alerta submetido em 17/08/2020 e aceito em 17/08/2020. Escrito por Mateus Souza Neiva e Mani Indiana Funez .

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