Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Inibição seletiva de nNOS e iNOS atenua de forma diferencial a dor

neuropática em ratos A dor neuropática é um tipo de dor crônica que ocorre quando os nervos sensitivos do sistema nervoso central e/ou periférico são danificados. 20% da população que apresentam dor crônica têm predominantemente dor neuropá

DOL · Dor On Line Edição 245 · Dezembro 2020 ⭳ Baixar em PDF

neuropática em ratos A dor neuropática é um tipo de dor crônica que ocorre quando os nervos sensitivos do sistema nervoso central e/ou periférico são danificados. 20% da população que apresentam dor crônica têm predominantemente dor neuropática, e isso se configura como uma das principais causas de incapacidade no mundo todo. O óxido nítrico (NO) é um importante mediador da dor que desempenha um papel significativo nas condições de dor crônica em ambos os níveis periférico e central. O NO é sintetizado por três isoformas da sintase do óxido nítrico (NOS): neuronial (nNOS), endotelial (eNOS) e induzível (iNOS). A superprodução de NO devido a mudanças no nível das isoformas da NOS envolve processos patológicos como neurotoxicidade, choque séptico e dor neuropática, desempenhando um papel importante nos mecanismos de sensibilização central e/ou periférica. Diante desta problemática, um grupo de pesquisadores brasileiros publicou, na revista Molecular and Cellular Neuroscience, um artigo que contribui muito para esta área. A pesquisa tinha como objetivo compreender o envolvimento da nNOS e iNOS na dor neuropática induzida por lesão de constrição crônica (ICC) do nervo ciático em ratos, e mostrar diferenças na produção de NO por meio de técnicas de sonda fluorescente. Eles observaram que os animais com CCI exibiram hiperalgesia (exacerbação da sensibilidade à dor) mecânica e térmica, e que isso foi revertido pela administração intratecal (diretamente na medula espinal) do inibidor da nNOS. Por outro lado, o inibidor da iNOS, administrado também na medula, teve um perfil diferente, pois foi capaz de atenuar parcialmente a hiperalgesia, e em um dos testes de hiperalgesia mecânica não teve efeito. Em um segundo experimento, foi observada uma maior expressão de nNOS e iNOS em células da medula espinhal e do gânglio da raiz

dorsal (onde estão localizados os corpos celulares dos neurônios da dor) nos animais com CCI, e que isso foi revertido pela administração dos inibidores da nNOS e iNOS, respectivamente. Por último, os pesquisadores investigaram a produção de NO através de um marcador fluorescente. Eles verificaram que o grupo com CCI apresentou maior intensidade de fluorescência em relação ao grupo controle na medula espinhal e no gânglio da raiz dorsal, indicando forte produção de NO nas regiões analisadas. O mesmo padrão foi observado na porção lombossacral da medula espinhal em tecidos in vivo. Sendo assim, os cientistas conseguiram evidências para suportar a ideia de que a produção de NO por nNOS pode modular fortemente a transmissão da dor em animais com dor neuropática, enquanto a iNOS parece participar parcialmente no desenvolvimento de respostas nociceptivas. A partir dos resultados, o trabalho sugere que a inibição da nNOS pode ser uma estratégia vantajosa para a terapia da dor neuropática, mas que o papel controverso da iNOS justifica uma investigação mais aprofundada. Referência: Rocha PA, Ferreira AFB, Da Silva JT, Alves AS, Martins DO, Britto LRG, Chacur M. Effects of selective inhibition of nNOS and iNOS on neuropathic pain in rats. Mol Cell Neurosci. 2020 Jun;105:103497. doi: 10.1016/j.mcn.2020.103497. Epub 2020 Apr 27. PMID: 32353527. Alerta submetido em 07/12/2020 e aceito em 07/12/2020. Escrito por Bruna Felippe Ferreira.

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