
Mais uma descoberta acerca da dor neuropática
A dor neuropática é uma das mais difíceis de ser controlada. Principalmente pelo fato dos medicamentos hoje disponíveis para tratar tal patologia são parcialmente eficazes e muitas vezes, ineficazes. Por isso, grandes esforços têm sido feitos para que a fisiopatologia da dor neuropática seja desvendada em sua totalidade para que medicamentos realmente efetivos sejam sintetizados. Lesões em nervos periféricos para indução de modelos experimentais de dor neuropática parecem induzir rapidamente um influxo dos íons cálcio e sódio, propagando os estímulos elétricos até os corpos celulares dos nervos nociceptivos, localizados nos gânglios da raiz dorsal (GRD), contribuindo para a ativação de diversas vias de proteinoquinases, incluindo as proteinoquinases A, C e as ativadas por mitógenos (MAPK). As três MAPK mais conhecidas são a p38, a JNK e a ERK. A quinase c-jun N-terminal (JNK), com três isoformas conhecidas JNK1, JNK2 e JNK3, parecem estar com os níveis aumentados persistentemente nos astrócitos e também no GRD. Entretanto, a contribuição de cada diferente isoforma da JNK permanece obscura. Um estudo recente de Manassero G. e colaboradores confirmou que JNK possui papel importante na regulação do limiar doloroso, bem como identificou que o desenvolvimento da dor neuropática não foi prevenido pela deleção de apenas uma isoforma, o que fez os autores a acreditarem que as três isoformas de JNK conjuntamente parecem ser essenciais para o desenvolvimento da dor neuropática. O comportamento de autotomia, comum em modelos de dor neuropática, esteve ausente nos animais deficientes de JNK1 ou JNK3. De acordo com dados e conclusões deste trabalho, produtos do gene Jnk, sem dúvida, podem ser alvo terapêutico importante no tratamento da dor neuropática. Apesar deste não ser o primeiro estudo que indica esta possibilidade, foi um importante avanço em estudar separadamente as três isoformas da JNK, para aumentar as alternativas de desenvolvimento de um medicamento eficaz, bem como mais seletivo para que os efeitos colaterais sejam reduzidos. Referência: Manassero G, Repetto IE, Cobianchi S, Valsecchi V, Bonny C, Rossi F, Vercelli A. Role of JNK isoforms in the development of neuropathic pain following sciatic nerve transection in the mouse. Mol Pain. 2012 May 22;8(1):39.