Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Melhor qualidade de vida em fibromialgia severa com o uso de Hormônio do Crescimento (GH)

DOL · Dor On Line Edição 146 · Setembro 2012 ⭳ Baixar em PDF

Recentemente, Cuatrecasas et al. publicaram um estudo sobre o uso de baixas doses de hormônio do crescimento (GH) como adjuvante na terapia padrão de pacientes com Síndrome Fibromiálgica Severa e níveis plasmáticos baixos de Fator de Crescimento Insulínico (IGF-1). O estudo define a fibromialgia como uma síndrome dolorosa crônica, não articular e não inflamatória, na qual há aumento da sensibilidade em pontos sensíveis/dolorosos, e é frequentemente acompanhada de fadiga profunda. Segundo os autores, anormalidades quanto ao hormônio do crescimento então presentes na metade dos pacientes com fibromialgia e o IGF-1 é um participante potencial na patofisiologia desta síndrome, onde pacientes com fibromialgia apresentam baixos níveis séricos deste. Os autores seguiram o que foi proposto em 1990 pela American College of Rheumatology (ACR) para o diagnóstico de fibromialgia, que combina dor generalizada crônica (CWP), o que indica a dor em ambos os lados do corpo, acima e abaixo da cintura, e dor axial por pelo menos 3 meses, e sensibilidade à palpação manual, em pelo menos 11 de 18 pontos sensíveis definidos. Em 2010 uma nova definição foi aceita, onde o quadro clínico do paciente é o foco, incluindo perturbações do sono, fadiga, ansiedade, depressão, sintomas gastrointestinais, dor de cabeça, síndrome da fadiga crônica como condições associadas à fibromialgia, além da dor crônica e outros sintomas somáticos, mas sem aparente dano tecidual ou inflamação. Diante destes dados, os autores conduziram o estudo por 18 meses, nos quais as 120 participantes foram divididas em dois grupos nos primeiros seis meses, um recebendo GH e o outro placebo, nos 6 meses seguintes todas as pacientes foram tratadas com GH, e ao final deste um ano o GH foi retirado, e, então, nos últimos 6 meses avaliou-se a terapia sem o GH associado. Os resultados do estudo apontam que mais de 55% das pacientes tratadas com GH apresentaram menos de 11 pontos sensíveis, enquanto essa porcentagem foi de 33% nas que receberam placebo. Além disso, o relato de dor e fatores relacionados à doença (dias de trabalho perdidos, ansiedade, depressão e fadiga, por exemplo), mediante aplicação de questionário, foi menor. Adicionalmente, quando da retirada de GH, apresentou-se uma piora nestes aspectos, piora tal que se evidenciou menor nas pacientes que foram tratadas com GH por um ano, sugerindo, segundo os autores, uma memória de efeito. Cuatrecasas et al. conjeturam que a presença de receptores de GH, IGF-1 e IGF-2 no hipocampo e no córtex límbico podem levar aos efeitos do GH no alívio da dor. O estudo de Cuatrecasas et al. foi comentado por Charles J. Malemud, que defende a importância dos resultados do estudo para o tratamento da fibromialgia, uma vez que o uso de baixas doses de GH, associado ao tratamento padrão, resultaram em melhora da qualidade de vida do paciente, incluindo uma redução no relato de dor, configurando um alvo para estudos futuros. O comentário também discute a possível relação da deficiência de GH encontrada em pessoas com fibromialgia, que, segundo o autor, pode estar relacionado aos distúrbios de sono destes pacientes, onde a produção deste hormônio estaria, então, prejudicada. Referências: Cuatrecasas Guillem, Alegre C., Fernandez-Solà J., Gonzalez M.J., Garcia-Fructuoso F., Poca-Dias V., Nadal A., Cuatrecasas Gabriel, Navarro F., Mera A., Lage M., Peinó R., Casanueva F., Liñan C., Sesmilo G., Coves M.J., Izquierdo J.P., Alvarez I., Granados E., Puig-Domingo M. Growth hormone treatment for sustained pain reduction and improvement in quality of life in severe fibromyalgia. Pain 2012 153 7 1382-1389. Malemud C. J. The basis for medical therapy of fibromyalgia with growth hormon. Pain 2012 153 7 1342-1343.

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