Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Modulação de hiperalgesia induzida pós-infusão de remifentanil pelo bloqueador beta propranolol em seres humanos

DOL · Dor On Line Edição 144 · Julho 2011 ⭳ Baixar em PDF

O uso de opioides é muito importante para o alívio da dor moderada a grave, porém estudos recentes vêm demonstrando que o uso crônico desta terapêutica pode provocar desenvolvimento de tolerância analgésica, dependência física e até mesmo hiperalgesia induzida por opioides (HIO). Estes tipos de reações já foram demonstrados por outros pesquisadores através de modelos animais. O intuito de L.F. Chu et al. é justamente tentar demonstrar a modulação da hiperalgesia induzida pós-infusão de remifentanil (HPR) pelo antagonista de receptor b-adrenérgico propranolol em pacientes humanos. Para realizar seus testes, os autores contaram com a participação de 10 homens saudáveis. Mulheres foram excluídas do estudo devido à modulação da resposta opioide pelo ciclo menstrual. O estudo foi realizado com a tese que o receptor b-adrenérgico possa modular a hiperalgesia induzida pós-infusão de remifentanil, com base em evidências que sugerem o papel do receptor b2-adrenérgico na HIO. O estudo foi realizado no formato duplo-cego, aleatório, controlado com placebo. Para induzir hiperalgesia mecânica secundária houve estimulação elétrica intradérmica, já para induzir hiperalgesia secundária por calor, utilizou-se um termoestimulador e para quantificação da hiperalgesia foi realizada a medida de uma área octogonal com a ajuda de Von Frey adaptado. Os autores chegam à conclusão de que a administração conjunta de propranolol com remifentanil reduziu aumento da hiperalgesia mecânica secundária, que pode ser observada após a infusão de remifentanil sozinho. O propranolol foi infundido de acordo com um protocolo capaz de reduzir a frequência cardíaca, sem aumentar a analgesia a remifentanil. Não foi observada hiperalgesia pós-infusão de remifentanil para a hiperalgesia térmica e o propranolol não foi capaz de impedir sinais e sintomas de abstinência a opioides, como os observados nos voluntários que receberam infusão de remifentanil com placebo. O artigo mereceu um comentário na revista ressaltando a importância do trabalho e o cuidado com que os autores usaram ao indicar a modulação por propranolol da hiperalgesia induzida pós-infusão de remifentanil e não para todos os opioides. O que mais marca o comentário são críticas, como a análise inadequada do tamanho da amostra, voluntários com massa corporal bastante variada, causando uma confusão sobre o fator fisiológico. O artigo, contudo, continua tendo sua valia, pois o uso de opioides é altíssimo em todo o mundo e o estudo trás novas oportunidades de estudo nessa área, além de ter realizado seus testes em humanos, o que nos fornece resultados mais fiéis daqueles encontrados no dia a dia, em hospitais por exemplo. Referências: Chu L.F., Cun T., Ngai L.K., Kim J.E., Zamora A.K., Young C.A., Angst M.S., Clark D.J. Modulation of remifentanil-induced postinfusion hyperalgesia by the b-blocker propranolol in humans. PAIN 153 (2012) 974–981 Werner, Mads U. Vanguard research in opioid-induced hyperalgesia – but guard the basics. Commentary / PAIN 153 (2012) 943–944.

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