Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Mulheres, agradeçam à sua enxaqueca!

DOL · Dor On Line Edição 109 · 2009 ⭳ Baixar em PDF

Um estudo publicado na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention abrangendo 9.000 pessoas levou a uma descoberta curiosa: mulheres com câncer de mama de baixa gravidade são aquelas que mais sofrem de enxaqueca. Um estudo caso-controle anterior deste mesmo grupo de pesquisa, comandado pelo médico Christopher Li, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, em Seattle, Washington, já afirmava que mulheres com histórico de enxaqueca têm um risco 33% menor de desenvolverem câncer de mama ductal e um risco 32% menor de desenvolverem câncer de mama lobular invasivo quando comparadas com mulheres sem esse histórico. Esse grupo de pesquisa foi o primeiro a explorar o elo existente entre enxaqueca e câncer de mama. Neste último estudo (que corrobora os estudos anteriores) foram observados 4.500 casos e outros 4.500 controles, dispondo de um espaço amostral estatístico muito mais abrangente e significativo. As participantes do estudo eram oriundas de um ensaio de caso-controle chamado de Womens Contraceptive and Reproductive Experiences Study, no qual haviam sido diagnosticadas mulheres com câncer de mama invasivo com idades entre 35 e 64 anos. O histórico de enxaqueca era colhido por meio de entrevistas presenciais estruturadas e, com isso, percebeu-se que as mulheres com histórico de enxaqueca apresentavam um risco menor de desenvolver câncer de mama (odds ratio, 0,74; IC de 95%, 0,66 – 0,82). Foi percebido, também, que o risco não diferiu entre mulheres em estado de menopausa, idade no diagnóstico de enxaqueca ou uso de medicamentos prescritos. Fatores desencadeadores de enxaqueca como álcool, hormônios exógenos e cigarro foram restringidos pelos pesquisadores, porém o risco continuou igual. Todavia, o grupo alerta para o viés no qual os medicamentos utilizados no tratamento ou na prevenção da enxaqueca podem ser responsáveis pelas reduções do risco, pois diversos estudos de anti-inflamatórios não-esteroidais (AINE’s) mostraram que seu uso pode acarretar risco reduzido para o câncer de mama, principalmente para os tumores positivos para os receptores hormonais. No entanto, Dr Li afirmou que, embora isso possa explicar em parte a redução, é improvável que seja o único fator, pois uma meta-análise recente no uso de AINE e o risco de câncer de mama relatou apenas uma redução de 12% no risco para mulheres que utilizavam um AINE. A verdadeira ligação dos AINE’s com o risco de desenvolvimento do câncer de mama ainda é desconhecida, mas os pesquisadores suspeitam que esteja relacionada com flutuações nos níveis de hormônios circulantes. (RP) Referência: Relationship between migraine history and breast cancer risk among premenopausal and postmenopausal women. Li CI, Mathes RW, Malone KE, Daling JR, Bernstein L, Marchbanks PA, Strom BL, Simon MS, Press MF, Deapen D, Burkman RT, Folger SG, McDonald JA, Spirtas R. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2009 Jul;18(7):2030-4. http://www.medcenter.com/Medscape/content.aspx?LangType=1046&banner=rc_pain&menu_id=18034&id=22940

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