
Novas análises de ressonância magnética apontam áreas ativas corticais importantes na fibromialgia
A fibromialgia é considerada uma doença debilitante que causa dores generalizadas sem etiologia aparente, essa síndrome atinge todo sistema musculoesquelético causando dores intermitentes por todo corpo, além de interferir na qualidade de vida dos pacientes é a causa de sofrimento de milhões de pessoas. O termo “fibromialgia”, criado em 1976, deriva da conjunção das palavras “fibro” (fibra ou tecido conjuntivo, em latim) com os vocábulos gregos “mi” (músculo) e “algia” (dor). Mas só foi reconhecida como uma doença pela Organização Mundial de Saúde em 1992. A doença é associada a uma grande variedade de sintomas seja eles físicos, fadiga persistente, distúrbios do sono e distúrbios mentais, como ansiedade e depressão normalmente são de difícil diagnóstico. Embora afete apenas uma parcela mínima da população mundial (média de 4%), sua etiologia permanece desconhecida e seu tratamento ineficaz. Recentemente, novas pesquisas em análise por ressonância magnética revelaram ativação reduzida em regiões sensoriais primárias e ativação aumentada em áreas de integração sensorial em pacientes com fibromialgia, frente a eventos não dolorosos. Os achados publicados em uma revista científica Arthritis & Rheumatology, sugerem que as anormalidades do cérebro em resposta à estimulação sensorial não dolorosa podem causar o aumento do desconforto que os pacientes experimentam em resposta a estímulos visuais, auditivos e táteis. Essa sintomatologia a eventos não dolorosos é frequente em paciente com fibromialgia, no qual desenvolvem uma hipersensibilidade dolorosa a estímulos inócuos que antes não causavam nenhum desconforto. De acordo com a Sociedade Americana de Reumatologia, 5 milhões de pessoas nos EUA têm fibromialgia, mais prevalente entre as mulheres. Para o presente estudo, os pesquisadores usaram imagens de ressonância magnética funcional para avaliar a resposta do cérebro à estimulação sensorial em 35 mulheres com fibromialgia e 25 controles saudáveis, pareados por idade. As pacientes tiveram uma duração média da doença de 7 anos e a média de idade era de 47. O estudo demonstrou ativação reduzida de ambas as áreas auditivas e visuais primárias e secundárias do cérebro e aumento da ativação nas regiões de integração sensorial nos pacientes que relataram maior desconforto em resposta à estimulação multisensorial inócuo em atividades da vida diária. Essas anormalidades cerebrais mediaram o crescente desconforto a estímulos visuais, auditivos e táteis que os pacientes relataram experimentar em sua rotina. Dessa maneira, este estudo fornece novas evidências sobre os pacientes com fibromialgia apresentarem processamento central alterado em resposta à estimulação multissensorial inócuo, o qual envolve uma associação aos sintomas centrais da fibromialgia e pode fazer parte da patologia da doença. O achado de ativação cortical reduzida nas áreas visual e auditiva do cérebro que foram associadas com queixas de dor do paciente pode oferecer novos alvos para tratamentos de neuroestimulação em pacientes com fibromialgia. Referência: López-Solà M, Pujol J, Wager TD, Garcia-Fontanals A, Blanco-Hinojo L, Garcia-Blanco S, Poca-Dias V, Harrison BJ, Contreras-Rodríguez O, Monfort J, Garcia-Fructuoso F, Deus J. Altered functional magnetic resonance imaging responses to nonpainful sensory stimulation in fibromyalgia patients. Arthritis Rheumatol. 2014 66(11):3200-9