Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Novas pesquisas apontam que a dor persistente tem fatores genéticos

DOL · Dor On Line Edição 167 · 2013 ⭳ Baixar em PDF

Uma nova e promissora pesquisa apresentada na 66ª Reunião Anual de Neurologia da Academia Americana da Filadélfia, sugerindo que em indivíduos com maior tolerância a sentir dor o fator chave pode ser genético. Ao contrário da dor aguda, sensação esta que alerta o corpo contra possíveis lesões e dano tecidual, a dor crônica tem caráter persistente, compreendida por ser uma dor continua e intermitente com períodos de duração de semanas, meses ou até anos. A dor crônica pode vir de uma doença em curso, tais como artrite, câncer, infecção ou disfunção do nervo (neuropatias). Já o tratamento dessa enfermidade, em sua maior parte é paliativo, visando sanar os sintomas. Especialistas médicos utilizam uma variedade de abordagens no tratamento da dor crônica, seja ela drogas, acupuntura, estimulação elétrica local, estimulação cerebral e até mesmo a cirurgia se torna uma alternativa. Nesse sentido, sanar a dor crônica se torna um grande desafio por parte dos profissionais, devido ao limitado entendimento dos mecanismos envolvidos na fisiopatologia da dor crônica. Este estudo constatou em primeira instância semelhanças genéticas entre os pacientes que apresentaram mesma intensidade de dor. Foram avaliados 2.721 pacientes com dor crônica e uma escala de intensidade da dor pontuada de 0 a 10. A maioria das pessoas no estudo (46%) teve a percepção de dor moderada (pontuada nível de 4-6), seguida pela percepção elevada da dor (45%). Apenas 9% dos participantes foram classificados com baixa percepção da dor. Os pesquisadores descobriram que a expressão do gene DRD1 (receptor de dopamina D1) foi 33% mais comum no grupo de indivíduos que apresentava baixo grau de dor comparado ao grupo de alto grau de dor. Os pacientes do grupo com dor de grau moderada foram mais propensos a ter mais duas variantes, COMT (catecol-O-metiltransferase) e OPRK (receptor opioide Kappa), que foi 25% mais comum neste grupo do que no grupo de alto grau de dor. Por outro lado, o grupo de alto grau de dor apresentou-se 25% mais propensos a ter a expressão do DRD2 (receptor de dopamina D2) comparado aos pacientes do grupo moderado. Este estudo é importante porque fornece informações objetivas para melhor entendimento da dor e por que numa mesma população os indivíduos têm diferentes níveis de tolerância à dor e que identificar se uma pessoa tem algum destes quatro genes pode ajudar os médicos a entender melhor a percepção de dor dos pacientes. Encontrar genes que possam desempenhar papel na dor pode fornecer um alvo concreto para o desenvolvimento de novas terapias. Fonte: David McNamee, Chronic pain may be genetic, new research suggests. http://www.medicalnewstoday.com/articles/275695.php

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