Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

O cérebro, a enxaqueca e o desenvolvimento de meninos e meninas

A prevalência de enxaqueca é maior em mulheres adultas do que em homens, além da duração e intensidade da dor de cada episódio. Além disso, é mais evidente em mulheres jovens entre a adolescência e o início da vida adulta, o que provavelmen

DOL · Dor On Line Edição 184 · Novembro 2015 ⭳ Baixar em PDF

A prevalência de enxaqueca é maior em mulheres adultas do que em homens, além da duração e intensidade da dor de cada episódio. Além disso, é mais evidente em mulheres jovens entre a adolescência e o início da vida adulta, o que provavelmente está relacionado às alterações hormonais destes períodos, modificando circuitos cerebrais específicos. Entretanto, visto que pouco ainda era conhecido sobre a enxaqueca em crianças e a evolução deste processo, este estudo foi realizado com o objetivo foi determinar as diferenças na estrutura e função cerebral de cada gênero e avaliar estas diferenças ao longo do desenvolvimento infantil, dos 10 aos 16 anos.
Neste estudo, 28 crianças com enxaqueca (14 meninas e 14 meninos) e 28 controles saudáveis foram avaliados através de estudos de imagem por ressonância magnética. As meninas tinham mais matéria cinzenta no córtex somatossensorial primário (S1), área motora suplementar, precuneus, gânglios basais, e amígdala em comparação com os meninos, bem como maior conectividade funcional em repouso do precuneus com o tálamo, amígdala e gânglios basais. Foi identificada também uma maior conectividade funcional em repouso da amígdala para o tálamo, giro cingulado anterior e área motora suplementar. Meninas mais velhas com enxaqueca (14-16 anos) tinham mais matéria cinzenta no S1, amígdala e caudado em comparação com os homens mais velhos com enxaqueca e controles saudáveis.
Esse estudo demonstrou diferenças em regiões cerebrais associadas a funções sensoriais, motoras e afetivas entre meninas e meninos. Estas diferenças entre gênero e de desenvolvimento pediátrico relacionado à enxaqueca são relatadas pela primeira vez neste trabalho.
Referência: Faria V, Erpelding N, Lebel A, Johnson A, Wolff R, Fair D, Burstein R, Becerra L, Borsook D. The migraine brain in transition: girls vs boys. Pain. 2015, 156(11):2212-21. (Alerta submetido em 17/11/2015 e aceito em 17/11/2015)

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