
O condicionamento clássico pode determinar a distribuição da dor
O estudo realizado por pesquisadores da Polônia demonstrou que a distribuição da dor percebida pode ser influenciada por mecanismos de condicionamento clássico e sugestão verbal, com o efeito se mostrando mais forte quando ambos são combina
O estudo realizado por pesquisadores da Polônia demonstrou que a distribuição da dor percebida pode ser influenciada por mecanismos de condicionamento clássico e sugestão verbal, com o efeito se mostrando mais forte quando ambos são combinados. O resultado é um achado crucial para a compreensão e o tratamento da Dor Crônica Generalizada (CWP), que se manifesta com dor espalhada sem causa estrutural evidente. A amostra consistiu em um total de 94 voluntários saudáveis que foram condicionados a associar uma cor (estímulo visual) a uma sensação de dor de grande distribuição. Na fase de teste, mesmo recebendo apenas estímulos de pequena distribuição, os voluntários submetidos ao condicionamento relataram sentir a dor em uma área mais ampla ao verem a cor previamente associada à dor grande. Os resultados mostraram que o efeito de ampliar a distribuição da dor foi significativo nos grupos com condicionamento (com ou sem sugestão verbal) e no grupo que recebeu apenas sugestão verbal, mas o impacto foi mais robusto quando o condicionamento foi acoplado à sugestão. Além disso, o estudo constatou que o efeito de dor ampliada se estendeu a um novo estímulo visual (generalização), especialmente nos grupos que receberam a sugestão verbal. Em suma, a pesquisa estabelece que o aprendizado associativo e a sugestão verbal podem modular a percepção espacial da dor. Este mecanismo é relevante para a compreensão da Dor Crônica Generalizada (CWP) e sugere que terapias focadas em "desaprender" ou reverter associações de dor poderiam ser eficazes para limitar a sua extensão. Referências: Nastaj J, Skalski J, Nowak D, et al. Pain distribution can be determined by classical conditioning. Pain. 2025;166(10):2300-2309. doi:10.1097/j.pain.0000000000003586 Escrito por Clara Leite Trigueiro.