
O efeito da progesterona na expressão e desenvolvimento da dor neuropática em um modelo experimental em rato
A dor neuropática é acarretada por algum tipo de lesão no sistema somatossensorial e frequentemente o seu tratamento é limitado, visto que a maioria dos pacientes que sofrem deste mal não têm a resposta adequada a analgésicos. Nesta patologia, os esteroides neuroativos parecem ter papel modulador importante. Por exemplo, a progesterona e seus derivados promovem a antinocicepção, além de participarem das diferenças na sensação dolorosa relacionadas ao gênero. Além disso, a progesterona parece reduzir os danos e melhorar a função em modelos animais de doenças neurológicas. O presente estudo buscou saber o efeito da administração sistêmica de progesterona na expressão e desenvolvimento da hiperalgesia e alodinia no modelo animal de dor neuropática CCI (chronic constriction injury). Os experimentos foram conduzidos com ratos Sprague-Dawley (230-280g), seguindo os guias de ética para a investigação de dor experimental nos animais. O teste para avaliar a nocicepção térmica utilizou calor radiante. Além disso, foram utilizadas também estímulos frios e mecânicos, através da acetona e filamentos de Von Frey, respectivamente. Os testes comportamentais foram feitos nos animais antes da cirurgia e 14 dias após a cirurgia CCI. Para a investigação do efeito da progesterona no desenvolvimento da dor neuropática experimental, foi administrada a progesterona diariamente (10 mg/kg, via intraperitoneal) do primeiro ao 13º dia após a cirurgia. Entretanto, para investigar o efeito deste esteroide na expressão da dor neuropática, a progesterona foi injetada na mesma dose citada anteriormente apenas no 14º dia após a cirurgia. O modelo animal experimental de dor neuropática foi escolhido por apresentar significante aumento dos escores comportamentais bem definidos de hiperalgesia térmica e também de alodinia mecânica e ao frio. A administração crônica de progesterona reduziu significativamente esses escores, enquanto a administração apenas no 14º dia após a cirurgia não acarretou nenhuma modificação nos escores comportamentais. Por isso, os resultados sugerem que a progesterona parece estar relacionada ao desenvolvimento da dor neuropática experimental e não na expressão, podendo ser um alvo terapêutico para esta patologia futuramente. Fonte: Hamid Reza Banafshe, Phd of Pharmacology, Pharmacology Department, Kashan University of Medical Sciences; Rasool Mokhtari, Kashan University of Medical Sciences; Azam Mesdaghinia, Kashan University of Medical Sciences; Javad Verdi, Kashan University of Medical Sciences