Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Divulgação Científica

O impacto da dor relacionada à endometriose no dia a dia das mulheres

Mais da metade das mulheres com endometriose sentem dor crônica relacionada a essa doença, foi o que revelou um estudo desenvolvido entre 2010 e 2016 em departamentos universitários, hospitais distritais e consultórios particulares na Suíça

DOL · Dor On Line Edição 264 · Julho 2022 ⭳ Baixar em PDF

Mais da metade das mulheres com endometriose sentem dor crônica relacionada a essa doença, foi o que revelou um estudo desenvolvido entre 2010 e 2016 em departamentos universitários, hospitais distritais e consultórios particulares na Suíça, Alemanha e Áustria. Pesquisadores desses três países avaliaram a

associação entre a dor crônica relacionada à endometriose e diferentes aspectos da vida diária, para compreender melhor o impacto da endometriose no dia a dia das mulheres. Cerca de 500 mulheres com diagnóstico de endometriose participaram do estudo e responderam a questionários que avaliaram diversos aspectos das suas vidas como: parâmetros socioeconômicos, histórico pessoal e familiar, histórico médico e psicológico, dor crônica, bem-estar, menstruação, gravidez, parceria e sexualidade. Com isso, os pesquisadores puderam avaliar como a endometriose, e a dor relacionada à ela, impacta na vida destas mulheres. O que eles perceberam é que 52% das mulheres com endometriose sofrem de dor crônica diretamente relacionada a essa doença. E entre as mulheres com dor crônica, metade sofre com outras síndromes dolorosas, como dor lombar, o que agrava seu sofrimento. A dor crônica tem uma influência negativa de moderada a alta em vários aspectos da vida das mulheres, desde atividades rotineiras como se sentar e dormir, até na sexualidade e no humor. Mas o principal impacto foi nas responsabilidades familiares/domésticas, na vida profissional e no funcionamento social. E quanto mais longos os episódios de dor, maior o impacto. O estudo concluiu que apesar do tratamento para endometriose, cerca de 50% das mulheres sentem dor, e que isso repercute negativamente em vários aspectos da vida diária. A presença de comorbidades e a maior duração dos episódios de dor também contribuem para uma maior limitação no dia. Desta forma, estes são parâmetros que devem ser considerados no manejo da dor e cuidadosamente avaliados para fornecer opções de tratamento específicas para cada caso. Referência: Leuenberger J, Kohl Schwartz AS, Geraedts K, et al. Living with endometriosis: Comorbid pain disorders, characteristics of pain and relevance for daily life. Eur J Pain. 2022;26(5):1021-1038. doi:10.1002/ejp.1926. Alerta submetido em 10/05/2022 e aceito em 15/05/2022. Escrito por Luiza Carolina França Opretzka.

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