Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

O paciente pode alterar efeitos de analgésicos quando sugestionado

DOL · Dor On Line Edição 128 · Março 2010 ⭳ Baixar em PDF

Um estudo foi realizado para investigar os mecanismos cerebrais da reposta a opioides, pois evidências comportamentais e auto-relatos sugerem que crenças e expectativas de pacientes podem modular os efeitos terapêuticos e adversos de qualquer medicamento. A pesquisa foi feita com 22 voluntários saudáveis (7 mulheres e 15 homens) com idade entre 21 e 40 anos, sem história de doenças neurológicas ou psiquiátricas e nenhum deles sofria de dor. Foi utilizado Remifentanil (analgésico opioide) por via intravenosa. Os pesquisadores britânicos e alemães aplicaram calor nos pés dos pacientes, que em seguida tiveram de quantificar o grau de dor sentida em uma escala visual analógica que vai de 0 a 100. O registro da atividade cerebral na eficácia analgésica do opioide nos pacientes foi obtido por ressonância magnética funcional. Após a aplicação do calor, o nível médio de dor sinalizado por eles foi de 66 ± 3. Os pacientes estavam conectados a um dispositivo intravenoso pelo qual recebiam doses de medicamentos (remifentanil) sem ser informados. Depois de executar um controle inicial, desconhecido para os participantes, a equipe começou a dar a droga para ver seus efeitos sem a expectativa de tratamento pelo sujeito. A classificação da dor inicial média de 66 caiu para 55 ± 3. Os voluntários foram, então, informados que a droga iria começar a ser administrada, embora nenhuma mudança foi feita e eles continuaram recebendo o opioide na mesma dose. A média das classificações de dor caiu para 39 ± 3. Os voluntários foram, então, levados a crer que a droga fora suspensa e advertidos de um possível aumento na dor. Novamente, a droga estava sendo administrada da mesma maneira, sem qualquer alteração. A média da intensidade da dor aumentou para 64 ± 3. A dor foi equivalente à obtida na ausência de qualquer analgesia no início do experimento. Os pesquisadores usaram imagens do cérebro para confirmar relatos dos participantes no alívio da dor. A ressonância nuclear magnética mostrou que as redes do cérebro responderam a dor em diferentes graus, de acordo com as expectativas dos voluntários em cada fase e combinando os seus relatórios de dor. O estudo foi publicado na revista especializada Science Translational Medicine, e demonstra a atuação das expectativas nos desfechos encontrados em testes de percepção dolorosa. Referência: Bingel U, Wanigasekera V, Wiech K, Ni Mhuircheartaigh R, Lee MC, Ploner M, Tracey I. The effect of treatment expectation on drug efficacy: imaging the analgesic benefit of the opioid remifentanil. Sci Transl Med. 2011 Feb 16;3(70):70ra14.

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