
O papel das fibras epidérmicas na dor neuropática na epidermólise
bolhosa Um estudo realizado por um grupo de pesquisa do Chile trouxe achados relevantes sobre a fisiopatologia das alterações na inervação da pele em camundongos portadores de epidermólise bolhosa distrófica recessiva. A epidermólise bolhos
bolhosa Um estudo realizado por um grupo de pesquisa do Chile trouxe achados relevantes sobre a fisiopatologia das alterações na inervação da pele em camundongos portadores de epidermólise bolhosa distrófica recessiva. A epidermólise bolhosa é caracterizada pela formação de bolhas na pele em resposta a traumas mecânicos simples, devido a uma mutação no gene de produção do colágeno tipo VII, componente das fibrilas de ancoragem dermo- epidérmicas. A dor crônica e o prurido, sintomas comuns e debilitantes nesses casos, estão associadas a disfunções nas fibras nervosas sensoriais, causadas pela doença. A fim de investigar os mecanismos fisiopatológicos da perda de fibras nervosas epidérmicas na epidermólise bolhosa, foram analisados camundongos que possuíam expressão de colágeno VII em até 10% dos níveis normais, semelhante ao encontrado na patologia. Os animais foram submetidos a testes de sensibilidade mecânica, dor térmica e avaliação do comportamento de prurido. Após os testes, os animais foram sacrificados e passaram por avaliações imuno-histoquímicas, análises das fibras nervosas dermo-epidérmicas e de nervo ciático. Os camundongos apresentaram diminuição da sensibilidade ao calor, aumento de episódios de coçar espontâneo e diminuição da densidade de fibras nervosas intraepidérmicas, sem alterações em tronco nervoso. Esse achado é de muita importância, pois demonstra que o dano nervoso na epidermólise ocorre na porção mais distal dos axônios, localizados na epiderme, demonstrando que intervenções tópicas podem ser eficazes no tratamento da doença. Além disso, o modelo animal mostrou-se muito fiel à manifestação da doença em humanos, sendo possibilidade para desenvolvimento de tratamentos para a epidermólise bolhosa. Referências: Schmidt D, Díaz P, Muñoz D, Espinoza F, Nystrom A, Fuentes I, Ezquer M, Bennett DL, Calvo M. Characterisation of the pathophysiology of neuropathy and sensory dysfunction in a mouse model of recessive dystrophic epidermolysis bullosa. Pain. 2022 Oct 1;163(10):2052-2060. doi: 10.1097/j.pain.0000000000002599. Epub 2022 Jan 28. PMID: 35311752. Alerta submetido em 04/11/2022 e aceito em 18/11/2022. Escrito por Rafaela Silva Motta.