
Obesidade e a dor estão interligadas e uma influencia a outra
Um estudo foi realizado para investigar e comparar o perfil inflamatório, o fluxo sanguíneo muscular, o metabolismo e as características da dor entre os pacientes do sexo feminino que tinham fibromialgia (FM) com e sem obesidade. Os dados f
Um estudo foi realizado para investigar e comparar o perfil inflamatório, o fluxo sanguíneo muscular, o metabolismo e as características da dor entre os pacientes do sexo feminino que tinham fibromialgia (FM) com e sem obesidade. Os dados foram coletados durante as visitas no centro de dor e reabilitação do Hospital Universitário na Suécia em 2017 a 2018. Foram incluídos 33 pacientes do sexo feminino com idade entre 20 a 65 anos e divididas entre dois grupos (pacientes não obesas com FM (n= 14) e pacientes obesas com FM (n= 13). Os autores relataram que as principais proteínas inflamatórias e vários parâmetros característicos da dor eram mais elevados em mulheres obesas com FM. Em resumo, este estudo mostra que o perfil de proteínas plasmáticas inflamatórias, características de dor autorrelatadas (intensidade da dor, impacto e capacidade física) e pressão arterial, pulso e aptidão física diferiram entre pacientes do sexo feminino com FM com e sem obesidade. A obesidade e o sobrepeso têm prevalência de 60 a 70% em pacientes com FM. A dor e a obesidade são condições multifatoriais com relação recíproca que se influenciam negativamente. A obesidade pode causar dor devido seu processo inflamatório e com isso secretar citocinas pró-inflamatórias, como IL-6 e TNF-α (principais citocinas relacionadas aos processos inflamatórios e imunes), relatadas como elevadas na FM. Por outro lado, a dor pode contribuir para a obesidade por meio de um estilo de vida mais sedentário e comportamento de evitação associado à dor, bem como pela alimentação hedônica, que leva a efeitos analgésicos temporários e também pode constituir com um mecanismo de enfrentamento. Esses dois elementos interagem entre si, elevando o ganho de peso e intensificando a dor. A dor e a obesidade tornam-se parte de um círculo vicioso, que prejudica a saúde dos pacientes, porque tanto o IMC elevado quanto a FM têm sido associados à inflamação. Há um consenso quase que universal na comunidade médica de que atingir e manter o peso saudável melhora os sintomas da dor crônica. Dessa forma, a triagem para obesidade e o monitoramento das alterações do IMC devem ser considerados no tratamento de pacientes com FM. Referência: Ghafouri B, Edman E, Löf M, Lund E, Leinhard OD, Lundberg P, Forsgren MF, Gerdle B, Dong HJ. Fibromyalgia in women: association of inflammatory plasma proteins, muscle blood flow, and metabolism with body mass index and pain characteristics. Pain Rep. 2022 Oct 4;7(6):e1042. doi: 10.1097/PR9.0000000000001042. PMID: 36213597; PMCID: PMC9534367. Alerta submetido em 19/01/2023 e aceito em 03/02/2023. Escrito por Aurelina Aguiar de Lima.