
Paciente decide a quantidade de medicamento para dor aguda
A dor aguda aparece repentinamente em resposta a uma lesão e induz ao sofrimento, refletindo negativamente na qualidade de vida dos doentes. Para a mensuração da intensidade da dor existem escalas validadas em nível internacional. Um estudo em 207 pacientes com dor aguda grave exigindo administração de opioide por via intravenosa foi realizado e um protocolo simples de avaliação da dor com base em titulação foi utilizado, o protocolo (1+1+1+1), que consiste em perguntar ao paciente a cada trinta minutos se necessita de mais analgésicos. Todos os pacientes receberam 1 mg de hidromorfona intravenosa e, 30 minutos mais tarde, foi perguntado se queriam mais medicação. Os pacientes que responderam sim receberam um adicional de 1 mg de hidromorfona intravenosa e a pergunta foi repetida novamente 30 minutos após isso. Aqueles que tiveram alívio da dor e recusaram mais medicamento, não receberam opioide adicional e foram perguntados novamente 30 minutos mais tarde. Cada paciente foi interrogado quatro vezes, proporcionando-lhes a oportunidade de receber até 4mg de opioide durante um período de até 4 horas. A saturação de oxigênio, frequência respiratória, pressão arterial, e pulso foram medidas cada vez que os pacientes foram questionados se eles queriam mais remédios contra a dor e novamente aos 15 minutos após cada dose de hidromorfona intravenosa. Os eventos adversos foram definidos como: saturação de oxigênio inferior a 95%; a pressão arterial sistólica inferior a 90 mmHg; frequência respiratória inferior a 10 ciclos/min; e taxa de pulso menor que 50 batimentos/min. Após a avaliação de 4 horas, dos 207 pacientes, 114 receberam 1mg de medicamento, 78 receberam 2mg, 9 receberam 3mg e 6 receberam 4 mg. A percepção da dor é subjetiva. A escala analógica visual e a escala numérica exigem alguma facilidade com números e sua interpretação. Já a escala não numérica utilizada neste estudo, perguntar ao paciente se quer mais medicação, pode ser mais fácil de compreender entre os pacientes levemente confusos, idosos e aqueles distraídos por consulta padronizada; pode também com pequenas doses de opioides minimizar os efeitos adversos, como náuseas, vômitos e a sensação de não estar totalmente no controle de si mesmos. O protocolo utilizado parece atravessar as barreiras tradicionais de comunicação, como a alfabetização, cultura, nível educacional e habilidade numérica. Referência: Chang AK, Bijur PE, Holden L, Gallagher EJ. Efficacy of an Acute Pain Titration Protocol Driven by Patient Response to a Simple Query: Do You Want More Pain Medication? Ann Emerg Med. 2015. pii: S0196-0644(15)00386-8.