Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Pacientes fibromiálgicos com sintomas semelhantes a dores neuropáticas apresentam melhora durante tratamento com anticonvulsivante – doses menores diminuem o risco de efeitos indesejados e a possibilidade de abandono do tratamento

DOL · Dor On Line Edição 89 · Dezembro 2007 ⭳ Baixar em PDF

Os sintomas mais comumente associados à fibromialgia (FM) são dor generalizada, fadiga, sono não-restaurador e sensação de inchaço em partes moles. Além disso, os pacientes costumam apresentar alterações na percepção da dor, relatando a presença de alodinia (“dor causada por estímulos que antes não causavam dor”), queimação, parestesias e/ou choques, sintomas estes comuns em casos de dores de origem neuropática (aquelas causadas por lesão ou disfunção do sistema nervoso central e/ou periférico). Segundo diversos estudos sobre os mecanismos fisiopatológicos da fibromialgia, um conjunto de fatores leva a essa amplificação da dor, embora se acredite que a sensibilização central provocada por uma disfunção neuroendócrina seja um dos maiores responsáveis pelos sintomas. Assim, como o tratamento de dores neuropáticas muitas vezes é realizado com medicamentos de ação central, como anticonvulsivantes, por exemplo, pacientes fibromiálgicos com sintomas semelhantes foram tratados com gabapentina. Foi utilizada a dose de 300mg/dia, a qual foi aumentada a cada 15 dias, atingindo-se a dose máxima de 900mg/dia, e a intensidade da dor e a qualidade do sono foram analisadas. Dos 30 pacientes observados no estudo, 29 apresentaram melhora no sono e diminuição da dor - 27 relataram 80% do alívio da dor e 3 referiram melhora inferior a 50% em 72 dias de tratamento. Nenhum deles referiu efeitos adversos. É importante dizer que os pacientes escolhidos também não apresentavam depressão, o que foi levado em consideração na análise dos resultados obtidos. Assim, as seguintes conclusões foram tiradas pelos autores: a) a gabapentina apresenta resultados satisfatórios em pacientes fibromiágicos na ausência de depressão; b) doses menores de gabapentina podem ser usadas para o tratamento da dor, reduzindo a chance de incidência de efeitos colaterais e possível abandono do tratamento. Além disso, ela parece auxiliar a melhorar a qualidade do sono em pacientes com fibromialgia. Finalmente, a estabilidade dos resultados por longo período (4 anos) mostrou que essa pode ser uma boa opção para tratamento de pacientes com FM que apresentam esses sintomas semelhantes a dores neuropáticas. Trabalho original: Anticonvulsivante no tratamento da fibromialgia (FM): uma nova opção terapêutica - Trabalho 164-1 Autores e procedência do estudo: Maria Teresa Rolim Jalbut Jacob (Centro de Terapia da Dor), Luiz Gonzaga Jacob (Centro de Terapia da Dor), Beatriz Jalbut Jacob (Acadêmica da Faculdade de Medicina de Jundiaí).

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