Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Participação de adrenoceptores do tipo β2 na sintomatologia causada por desordens temporomandibulares pode explicar porque alguns casos são pouco responsivos ao tratamento com antiinflamatórios não-esteroidais (AINEs)

DOL · Dor On Line Edição 79 · Fevereiro 2006 ⭳ Baixar em PDF

As desordens temporomandibulares (DTMs) são condições dolorosas que envolvem os músculos da mastigação e a articulação temporomandibular (ATM) e afetam cerca de 12% da população. Uma vez que nem todos pacientes portadores de DTMs são responsivos ao tratamento com medicamentos anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs), drogas com ação em outros sistemas envolvidos na etiologia da dor poderiam ser eficazes para tratar as desordens sintomáticas. Dessa maneira, trabalho realizado por Rodrigues e cols., da Faculdade de Odontologia de Piracicaba - UNICAMP, teve como objetivo validar o modelo animal (em ratos) de hiperalgesia na ATM induzida por carragenina e investigar o envolvimento da norepinefrina e dos adrenoceptores  neste fenômeno. A hiperalgesia foi induzida por injeção de serotonina (5-HT) 1 hora após a injeção de carragenina na ATM. Tanto a administração sistêmica quanto local de indometacina (um AINEs não-seletivo) atenuou significantemente a hiperalgesia na ATM, avaliada pelo comportamento de sacudidelas e inclinação da cabeça do animal para o lado onde foram administrados os estímulos inflamatórios. Além disso, a depleção de norepinefrina ou o bloqueio dos adrenoceptores 2, promovidos pela administração de guanetidina ou ICI118.55 respectivamente, também foi capaz de reduzir a hiperalgesia na ATM. O estudo em questão, portanto, demonstra a validade do modelo animal de hiperalgesia na ATM induzida por carragenina, possibilitando a investigação dos mecanismos participantes da dor temporomandibular de origem inflamatória e o teste de diferentes tipos de analgésicos com ação periférica. Ainda, também sugere que a ativação dos adrenoceptores do tipo 2 locais contribui para a hiperalgesia inflamatória na ATM, o que pode ter relevância clínica para o tratamento das DTMs dolorosas pouco responsivas aos AINEs. Autores e procedência do estudo: Rodrigues LL, Oliveira MC, Pelegrini-da-Silva A, de Arruda Veiga MC, Parada CA, Tambeli CH. - Department of Physiology, Laboratory of Orofacial Pain, Faculty of Dentistry of Piracicaba, University of Campinas-UNICAMP, Sao Paulo, Brazil; Referência: Peripheral sympathetic component of the temporomandibular joint inflammatory pain in rats. J Pain. 2006 Dec;7(12):929-36.

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