Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Por que a sensação de dor difere de uma pessoa para outra?

DOL · Dor On Line Edição 33 · Abril 2002 ⭳ Baixar em PDF

Embora a dor seja uma modalidade sensorial, a intensidade da dor que sentimos nem sempre corresponde à intensidade de ativação das fibras sensoriais nociceptivas. Cientistas da Universidade de Michigan tentam explicar esta variabilidade individual pela presença de um gene que codifica uma enzima responsável pela hidrólise do neurotransmissor chamado dopamina. Este gene parece codificar duas isoformas da enzima, que diferem entre si por apenas um aminoácido. Enzimas que apresentam a isoforma que contenha o aminoácido valina são mais ativas, reduzindo de modo mais eficiente a concentração endógena de dopamina, enquanto que enzimas com o aminoácido metionina seriam menos ativas. A dopamina estaria aparentemente relacionada com a redução na produção de endorfinas, que são substâncias analgésicas próprias de nosso organismo. Nota: No texto integral comenta-se que a variabilidade individual poderia explicar a melhor atividade analgésica de anti-depressivos em algumas pessoas. Os anti-depressivos são drogas que reduzem a recaptação de aminas como a 5-HT, noradrenalina e dopamina. O efeito analgésico dos anti-depressivos é atribuído a uma potencialização da atividade antinociceptiva da via de controle endógeno da dor, que utiliza como principais neurotransmissores a noradrenalina e 5-HT. Assim, embora a melhor eficácia destas drogas em algumas pessoas possa ser decorrente da variabilidade genética, não deve ser explicada pela ideia passada pelo texto, que indica que o excesso de dopamina seria responsável pela maior susceptibilidade a dor.

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