Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Por que falamos um palavrão toda vez que nos machucamos?

DOL · Dor On Line Edição 96 · Julho 2007 ⭳ Baixar em PDF

Quantas vezes tropeçamos em uma pedra e, para “revidar” (apesar da pedra não conseguir “entender” nossa indignação), a xingamos de algo bem, digamos, “cabeludo”? Uma reportagem publicada na Revista Superinteressante mostra a Ciência do palavrão. Pesquisas recentes têm mostrado que as palavras “sujas” nascem no nosso cérebro em uma região que controla nossas emoções, o chamado sistema límbico. Trata-se de uma zona primitiva, da qual fazem parte várias estruturas cerebrais como o hipocampo, a amígdala, o tálamo, o hipotálamo, entre outras. A emoção sentida e expressa ao se tropeçar em uma pedra, como mencionado acima, é inconsciente, pois, se dependesse do pensamento consciente, ninguém nunca ofenderia um ser inanimado. Mas qual a relação que existe entre a dor e o sistema límbico? As sensações dolorosas convergem para o tálamo, que funciona como um circuito de interpretação das sensações, e em alguns de seus núcleos é possível a consciência da sensação dolorosa, ou seja, este é o momento neural após o qual a dor pode ser percebida. O tálamo envia os impulsos para o córtex, que é onde ocorre a percepção da dor. Dessa forma, toda vez que batemos em alguma coisa e sentimos dor, falar um palavrão traduz exatamente as emoções em uma intensidade inigualável, como um “protesto” por estar havendo dor. Além disso, nesse sentido é mais coerente a reação relacionada a coisas ruins (como à dor, no caso) do que expressar a emoção com palavras amenas como "Oh, que dor!". Certamente quem diz isso fica com a dor por mais duas horas latejando no dedão. Fonte: revista Superinteressante, fevereiro de 2008, Editora Abril

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