
Presença de células inflamatórias pode ser importante para desenvolvimento de dor neuropática experimental animal
O modelo de constricção do nervo ciático em ratos, descrito por Bennet e Xie (1988), é um modelo experimental de dor neuropática muito utilizado por apresentar sintomas semelhantes à neuropatia manifestada em humanos. Atualmente, considera-se que existe um componente inflamatório importante apenas no início do processo, o que levaria ao desenvolvimento da neuropatia. Entretanto, trabalho realizado por Morin e cols, da Brown Medical School, em Providence, EUA, mostra que, 7 dias após a constricção do nervo ciático, período este considerado suficiente para a instalação da neuropatia, ocorre grande aumento da quantidade de neutrófilos nos gânglios das raízes dorsais (GRDs) relativos aos nervos espinais que formam o nervo ciático. Como esperado, também foi observado aumento nas contagens de neutrófilos no primeiro dia após a cirurgia, que voltaram aos valores basais após 3 dias. Não foi detectada variação nas contagens de neutrófilos na corrente sanguínea. Os níveis de quimiocinas nos GRDs foram avaliados, sendo encontrado aumento nos níveis de MCP-1, mas não de CINC-1, MIP-2 e RANTES no sétimo dia após cirurgia. Segundo os autores, esses dados indicam, portanto, que, pelo menos nesse modelo experimental animal, ainda existem componentes inflamatórios importantes após o desenvolvimento da neuropatia. Resta descobrir se o mesmo ocorre nas neuropatias humanas. Autores e procedência do estudo: N. Morin (a,1), S.A. Owolabi (a,1), M.W. Harty (a), E.F. Papa (a), T.F. Tracy Jr.(a),S.K. Shaw b, M. Kim (a), C.Y. Saab (a,*) – (a) Department of Surgery, Rhode Island Hospital, Brown Medical School, Providence, USA; (b) Department of Pediatrics, Women & Infants Hospital, Brown Medical School, Providence, USA. Referência: Neutrophils invade lumbar dorsal root ganglia after chronic constriction injury of the sciatic nerve. Journal of Neuroimmunology 184:164-171(2007).