Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Ciência e Tecnologia

Propranolol reduz a dor facial associada a desordem temporomandibular

Desordem temporomandibular (DTM) é um termo amplo que engloba dor e disfunção da musculatura mastigatória e das articulações temporomandibulares. Essa desordem está associada à incapacidade e sofrimento, comprometendo a qualidade de vida do

DOL · Dor On Line Edição 242 · Setembro 2020 ⭳ Baixar em PDF

Desordem temporomandibular (DTM) é um termo amplo que engloba dor e disfunção da musculatura mastigatória e das articulações temporomandibulares. Essa desordem está associada à incapacidade e sofrimento, comprometendo a qualidade de vida dos indivíduos afetados. Embora sintomas como dor de cabeça e dor nas costas também sejam relatados nessa desordem, a dor facial é o sintoma mais comum, e que geralmente leva os pacientes a procurarem tratamento. Dentre

os tratamentos disponíveis para a dor associada à DTM, estão os anti-inflamatórios não esteroidais e opioides, além dos antidepressivos e anticonvulsivantes. No entanto, as evidências que comprovam a efetividade desses fármacos ainda são escassas. O propranolol é um fármaco anti-hipertensivo, da classe dos betabloqueadores, amplamente utilizado no Brasil e no mundo desde a década de 1960. Alguns achados sugerem que o propranolol, além da clássica ação anti-hipertensiva, pode reduzir a dor por diminuição da inflamação nas articulações. Um estudo clínico recentemente publicado, envolvendo três centros de pesquisa nos Estados Unidos, avaliou a segurança e a eficácia do propranolol na redução da dor facial de pacientes com DTM. Nesse estudo, um total de 200 pacientes com DTM entre 18 e 65 anos foram divididos em dois grupos: os tratados com propranolol e os tratados com placebo durante dez semanas. Utilizando medidas de intensidade e duração da dor, o estudo demonstrou que os indivíduos que receberam propranolol apresentaram reduções ≥30% e ≥50% da dor facial após nove semanas de tratamento, embora a média do índice de dor facial não tenha sido diferente em comparação com o grupo placebo. Embora o propranolol não tenha induzido um efeito analgésico de magnitude superior ao placebo, a proporção de pacientes que apresentou analgesia foi maior no grupo tratado com propranolol. Além disso, o propranolol promoveu uma redução nos níveis de ansiedade, o que pode ter relação com os conhecidos efeitos desse fármaco de bloqueio dos receptores beta- adrenérgicos. Os efeitos adversos da terapia também foram analisados pelo estudo, e o propranolol se mostrou seguro e bem tolerado. Esses resultados, associados a boa tolerabilidade e segurança do propranolol, indicam que esse fármaco tem potencial para o controle da dor associada à DTM, entretanto, novos estudos de eficácia são ainda necessários para confirmar essa hipótese. Referência: Tchivileva IE, Hadgraft H, Lim PF, et al. Efficacy and safety of propranolol for treatment of temporomandibular disorder pain: a randomized, placebo-controlled clinical trial. Pain. 2020;161(8):1755-1767. Alerta submetido em 10/09/2020 e aceito em 10/09/2020. Escrito por Jamile de Souza Moraes e Cristiane Flora Villarreal.

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