
Quanto os genes influenciam nossa sensibilidade à dor?
Existe uma grande variação individual na sensibilidade à dor. Esta variação dificulta o diagnóstico médico e também pode ser importante no desenvolvimento ou não de dores crônicas. Embora se saiba que parte desta variação depende de fatores genéticos, não se conhece em que grau estes fatores influenciam essa variabilidade. Para tentar determinar a influência do genótipo na sensibilidade à dor, pesquisadores da Noruega avaliaram a sensibilidade a estímulos dolorosos de calor ou de frio em 53 pares de gêmeos idênticos e 39 pares de gêmeos fraternos. Os gêmeos fraternos sofreriam influência dos mesmos fatores ambientais, assim como os gêmeos idênticos, porém, estes últimos teriam também influência dos mesmos fatores genéticos. A análise estatística dos resultados obtidos permitiu sugerir que aproximadamente 60% da variação individual na sensibilidade aos estímulos dolorosos frios seria mediada por fatores genéticos, enquanto que apenas 26% da variação na sensibilidade observada após aplicação de estímulos dolorosos quentes teria influência genética. Os fatores ambientais explicariam 5% da variação na sensibilidade aos estímulos frios e 8% em relação aos estímulos quentes. A correlação entre as sensibilidades aos dois tipos de estímulos dolorosos é pequena, o que significa que uma pessoa pode ser mais sensível a um tipo de estímulo, sem necessariamente ser mais sensível aos demais. Portanto, além de determinados tipos de estímulos, como o frio por exemplo, serem mais influenciados pelo genótipo que outros estímulos, os genes que determinam uma maior sensibilidade a um tipo de estímulo podem não alterar a sensibilidade a outros tipos. Autores e procedência do estudo: Nielsen CS, Stubhaug A, Price DD, Vassend O, Czajkowski N, Harris JR. Referência: (2007) Individual differences in pain sensitivity: Genetic and environmental contributions. Pain. Aug 8; article in press.