
Radiculopatia Torácica Diabética: uma causa incomum de dor pós toracotomia
A dor persistente é comum após toracotomia (veja Nota da Redação I). Pesquisadores do Duke University Medical Center, em Durham, EUA, relataram o caso de um paciente de 64 anos com diabetes tipo 2 apresentando dor abdominal na parede torácica 3 meses após cirurgia toracoscópica vídeo assistida (CTVA). No pós operatório o paciente apresentou dor, apesar do catéter epidural torácico funcionante. Realizada investigação, revelou-se que a persistência da dor foi devido à radiculopatia torácica diabética (RTD) (veja Nota da Redação II). Tal desordem é caracterizada por dor, perda sensorial, fraqueza da musculatura torácica e abdominal em pacientes com diabetes. Como neste paciente, a dor e a perda sensorial geralmente revertem dentro de um ano após o início. A desordem pode ser distinguida da neuralgia intercostal baseando-se em aspectos clínicos e eletromiográficos. Nota da Redação I: A toracotomia é um procedimento cirúrgico através do qual pode-se obter acesso para realização de manobras na cavidade torácica, ou, mesmo, para alguns procedimentos na cavidade abdominal. É feita através de uma incisão no espaço intercostal, em qualquer nível, conforme a necessidade cirúrgica. Algumas cirurgias podem se utilizar desta incisão, como troca de valvas cardíacas, cirurgias de esôfago, mediastino, pulmão, entre outras. Nota da Redação II: A radiculopatia torácica diabética é uma neuropatia diabética das inervações intercostais, o que não é muito frequente, mas também não é rara. No entanto, a associação das duas situações é muito difícil de acontecer, ainda mais no mesmo nível intercostal. Vale ressaltar que a possibilidade de ocorrência existe quando se realiza procedimentos cirúrgicos, mesmo quando há preocupação com a analgesia pós-operatória. Referência: PAIN, 103(1-2): 221-223, 2003.