
Rato toupeira do deserto inflama, mas não arde
Uma recente pesquisa demonstrou mais um aspecto interessante do rato-toupeira-pelado, nativo do Quênia e Etiopia. Com inúmeras peculiaridades, esta espécie de roedor de alta longevidade e comportamento colonial não apresenta alguns comporta
Uma recente pesquisa demonstrou mais um aspecto interessante do rato-toupeira-pelado, nativo do Quênia e Etiopia. Com inúmeras peculiaridades, esta espécie de roedor de alta longevidade e comportamento colonial não apresenta alguns comportamentos nociceptivos comuns a seus primos ratos, camundongos ou mesmo outros mamíferos, como nós, primatas.
Do ponto de vista experimental, não é possível induzir hipernocicepção térmica pela administração intraplantar de NGF (Nerve Growth Factor) neste roedor. O estímulo doloroso aumentado por um agente inflamatório não produz um comportamento de dor nestes animais. A pesquisa demonstra que isso é devido a uma falha na cascata de sinalização molecular. O NGF não é capaz de sensibilizar os canais iônicos TRPV1, os mesmos que nos fazem sentir o ardido da pimenta. Isso se deve a uma enzima, uma tirosina-quinase, associada ao receptor do NGF, que no roedor esta hipofuncianal. O motivo da adaptação evolutiva que levou o rato-toupeira-pelado a perder a hipernocicepção térmica não é clara, mas os autores sugerem a abolição adaptativa de comportamentos nociceptivos e a manutenção da viabilidade da espécie.
Referência: Omerbasié D, Smith ES, Moroni M, Homfeld 3, Eigenbrod O, Bennett NC, Reznick 3, Faulkes CG, Selbach M, Lewin GR. Hypofunctional TrkA Accaunts for the Absence of Pain Sensitization in the African Naked Mole-Rat. Cell Rep. 2016; 17(3):748-758
Alerta submetido em 12/10/2016 e aceito em 18/10/2016.