Boletim Científico de Atualização em DorISSN 2446-6670
Artigo

Receptores canabinóides medeiam ações analgésicas supra-espinais do celecoxibe

DOL · Dor On Line Edição 114 · Janeiro 2009 ⭳ Baixar em PDF

Recentemente foi demonstrado que a administração central de celecoxibe (COX) é capaz de elevar o limiar nociceptivo acima dos valores basais em patas de ratos inflamadas por carragenina (CG), caracterizando o desenvolvimento de hiponocicepção e, portanto, reproduzindo os efeitos da administração sistêmica dessa droga. Foi demonstrado, também, que a hiponocicepção induzida pelo COX parece envolver a liberação de peptídeos opioides endógenos. Assim, o presente estudo visou avaliar quais receptores opioides estariam envolvidos neste efeito induzido pela administração central de COX em ratos e a possível participação do sistema canabinoidérgico endógeno nesses efeitos. Ratos machos da linhagem Holtzman receberam injeções intracerebroventriculares (icv) de COX no ventrículo lateral direito, após a injeção de CG na pata posterior direita. O efeito analgésico foi testado com a utilização de antagonistas seletivos para os receptores μ, δ e κ, um inibidor da degradação de peptídeos opioides endógenos e antagonistas seletivos dos receptores canabinoides CB1 e CB2. A administração de COX induziu hipoalgesia nos animais, confirmando trabalhos anteriores. O presente estudo sugere que o COX, de alguma maneira, promove ativação de receptores canabinoides CB1, levando à liberação de opioides endógenos, que por sua vez ativam receptores μ e δ-opioides para gerar hipoalgesia. Como somente os receptores opioides μ e δ foram ativados, a β-endorfina, um peptídeo opioide endógeno que se liga com a mesma afinidade nesses receptores, parece ser o mediador final dessa resposta. Resumo original: The CB1 cannabinoid receptor mediates the central analgesic action of celecoxib through endogenous opioid release. Rezende RM1, Dos Reis WGP1, Paiva-Lima P1, Camêlo VM1, Bakhle YS2, Francischi JN1. (1) Departamento de Farmacologia, Instituto de Ciências Biológicas – UFMG, (2) Imperial College of London – Leukocyte Biology. Pôster 05.010.

← Voltar à edição 114