
Revisão de estudos clínicos analisa criticamente o uso da toxina botulínica para tratamento da enxaqueca
Acredita-se que a toxina botulínica (BT-A) exerça efeito antinociceptivo útil clinicamente por inibir a liberação de substância P, entre outros neurotransmissores relacionados à dor, e que sua eficácia em prevenir a enxaqueca seja devida a uma modulação das sensibilizações periférica e, indiretamente, central. Esta revisão reconsidera as bases teóricas para o uso da BT-A na profilaxia da enxaqueca e analisa criticamente as evidências clínicas que apóiam esta estratégia. Com base em uma tabela de evidências, o autor classificou os estudos clínicos em controlados e randomizados ou não, não experimentais e descritivos ou baseados em casos reportados. O autor lembra que, embora estudos controlados e randomizados sejam importantes evidências médicas, não são substitutos para o fundamento conceitual de Ciências Básicas. Muitas limitações desses tipos de estudos são discutidas e também se discute o fato de efeito placebo ocorrer em alguns casos em experimentação pela própria injeção. O autor conclui que as respostas à BT-A em pacientes com enxaqueca, observadas em testes clínicos, são inconsistentes, imprevisíveis, não dose-dependentes, e não têm sido comparadas a terapias estabelecidas, e que estudos adicionais, tanto em humanos quanto em animais, devem ser realizados para tentar estabelecer se a BT-A é realmente eficaz no tratamento da enxaqueca. Ainda, alerta os clínicos para uma observação crítica e cuidadosa da literatura sobre o papel terapêutico para a BT-A. (SFSL) Autores e procedência do estudo: Vinod Kumar Gupta - Dubai Police Medical Services, Dubai, United Arab Emirates; Referência: Botulinum toxin – A treatment for migraine? A systematic review. Pain Medicine (2005), 7(5):386-394.